Polícia acredita que jornalista brasileiro assassinado foi executado por facção criminosa

A morte do jornalistaLéo Veras, que era paraguaio naturalizado brasileiro, pode ter sido planejada e executada por uma facção crimininosa que atua na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. É o que informa o jornal paraguaio "ABC Color". O repórter, de 52 anos, foi assassinado na noite de quinta-feira com 12 tiros de pistola 9 milímetros, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, a 342 km da capital Campo Grande.

De acordo com o diário, o diretor da polícia de Amambay, Ignácio Rodríguez, disse ter informações sobre o grupo que cometeu o assassinato. As autoridades já teriam recebido informações importantes do grupo que teria cometido o assassinato, mas não entrou em detalhes.

O investigador afirmou ao jornal que o crime pode ter sido ordenado por uma das facções que atuam na fronteira, já que nos últimos dias o jornalista havia publicado a prisão de dois membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), depois da fuga em 19 de janeiro da penitenciária de Pedro Juan Caballero.

"A investigação está no curso normal, correta e, eu diria bastante avançada. Não possui um objeto visível, mas consistente, que nos permite orientar a origem desse assassino contratado", afirmou Rodríguez.

Ainda segundo Ignácio, o assassinato foi a mando da facção ou o grupo pode ter usado a estrutura para cometer a execução de Léo Veras. As autoridades paraguaias acreditam que a morte do jornalista esteja ligada as matérias publicadas por ele denunciando o crime organizado na região.

Outra hipótese seria os laços entre policiais corruptos, autoridades judiciais paraguaias e o narcotráfico na Região Norte do Paraguai, que seria a principal motivação para a execução do jornalista.

ENTENDA O CASO

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, o jornalista foi atingido na cabeça e chegou a ser socorrido e levado a um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

No momento da ação dos criminosos, Veras jantava com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas, segundo o G1, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local. A polícia não confirma se o crime tem relação com o trabalho do jornalista sobre o tráfico.

Os investigadores farão perícia no celular e no computador da vítima. As câmeras da casa onde o jornalista morava não estavam funcionando. A polícia paraguaia deve pedir a colaboração das autoridades brasileiras para chegar aos autores da execução.

Um amigo de Veras que não quis se identificar informou ao G1 que se encontrou há 20 dias com o jornalista e ele relatou sobre as ameaças de morte que vinha sofrendo.

— Nesses últimos dias, as ameaças eram constantes. Ele falou que as ameaças eram por matérias referentes ao tráfico de drogas e também relacionadas a autoridades policiais paraguaias — afirmou.

O Ministério Público do Paraguai já investiga o assassinato. O promotor paraguaio responsável pelo caso, Marco Amarilla, informou ao G1 que o jornalista vinha sofrendo ameaças e temia por sua vida. O jornalista vivia há anos com a perspectiva de ser assassinado. Em 2017, ao ser entrevistado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Veras afirmou que esperava “não morrer com tantos tiros”.