Polícia alemã conclui dispersão de ativistas contra expansão de mina de carvão

A polícia alemã anunciou neste domingo (15) que praticamente terminou de dispersar ativistas ambientais que protestavam em Lützerath (oeste) contra a expansão de uma mina de carvão a céu aberto na mesma região, um dia após as manifestações deixarem centenas de pessoas feridas.

O protesto contra o projeto da empresa energética RWE aconteceu no sábado, contou com a presença da militante ambiental Greta Thunberg e terminou com confrontos entre manifestantes e policiais.

Segundo os organizadores, 35 mil pessoas compareceram ao ato, enquanto a força policial contabiliza cerca de 15 mil.

A manifestação foi organizada em apoio aos 300 ativistas que ocupavam o local abandonado. Contingente que foi dispersado neste domingo, ao final de uma operação de evacuação iniciada na quarta-feira, segundo informações da polícia.

"Não há mais ativistas na área de Lützerath", disse a polícia no domingo.

No mesmo dia, a porta-voz dos organizadores do protesto, Indigo Drau, acusou a polícia de usar "violência pura" contra os manifestantes, que foram golpeados "descontroladamente" pelos agentes, principalmente na cabeça.

O coletivo Lützerath lebt! (Lützerath vive!) denunciou que dezenas de pessoas foram feridas por mordidas de cães da força de segurança e canhões de água.

Pelo menos 20 pessoas foram levadas ao hospital, de acordo com o socorrista Birte Schramm.

A polícia afirmou que cerca de 70 agentes de segurança ficaram feridos após os confrontos e que 150 pessoas foram processadas.

"Eles nos atacaram com projéteis, pedras, lama, fogos de artifício", disse à AFP neste domingo o porta-voz da polícia, Andreas Müller.

"Isso não se encaixa no quadro de uma manifestação pacífica", ressaltou ele, insistindo que vários veículos da polícia também foram danificados durante o protesto.

O Poder Executivo alemão considera necessária a extensão da mina para garantir a segurança energética da Alemanha, compensando a interrupção do abastecimento de gás russo, razão que os protestantes rejeitam, alegando que as atuais reservas de lignito são suficientes.

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