Ministro do Interior da Espanha diz que ETA deverá pagar por seus crimes

Marrakech (Marrocos), 2 mai (EFE).- O ministro do Interior da Espanha, Juan Ignacio Zoido, afirmou nesta quarta-feira que os integrantes da organização terrorista ETA deverão pagar por seus crimes e garantiu que não haverá impunidade para o grupo.

"Não nos colocaremos de joelhos. Eles terão que pagar por seus crimes. Não haverá nenhum tipo de impunidade", afirmou o ministro, que participa de um fórum sobre migração no Marrocos.

O ministro do Interior da Espanha disse que o ETA "mentiu mais uma vez" ao divulgar sua dissolução e quer confundir a sociedade.

"Não é certo que eles se dissolveram, foram derrotados pelas forças de segurança, pelo estado de direito, pela sociedade espanhola e a justiça", disse Zoido.

A organização terrorista divulgou uma carta nesta quarta-feira, datada em 16 de abril, anunciando sua completa dissolução.

"Antes e depois deste comunicado, eles serão perseguidos onde quer que estejam", afirmou o ministro.

Para Zoido, a única coisa que os integrantes do ETA podem fazer é colaborar para que todos os crimes ainda não esclarecidos sejam resolvidos. "Não basta que eles se arrependam", afirmou.

"Eles serão perseguidos pelas forças de segurança onde quer que estejam para que consigamos detê-los e colocá-los à disposição da Justiça espanhola e assim resgatar a memória de todas as vítimas do terrorismo", completou o ministro.

O anúncio da dissolução da ETA ocorre depois de quase 60 anos de existência, com mais de 850 mortos, e de um declínio da organização graças ao trabalho conjunto entre Espanha e França.

Em 18 de abril, foi revelada a intenção do grupo, que colocava como data para o anúncio oficial o primeiro fim de semana de maio, depois que em outubro de 2011 foi anunciada a cessação definitiva de suas ações violentas.

Dois dias depois, em 20 de abril, a ETA reconhecia em comunicado o "dano causado" às vítimas - mais de 850 mortos - e pediu "perdão" aos mortos, embora só os que não estavam relacionadas "diretamente" com o que eles qualificam de "conflito".

O ato oficial de dissolução está previsto para 4 de maio na cidade de Cambo-les-Bains e será encerrado com a leitura de uma declaração por "representantes da comunidade internacional". EFE