Polícia apreende coletes, carregadores e maleta de pistola em casa de militar da Marinha que atirou em perito

A Polícia Civil cumpriu nesta sexta-feira um mandado de busca e apreensão contra Bruno Santos Lima, sargento da Marinha que atirou no papiloscopista Renato Couto de Mendonça, de 41 anos, há uma semana. Agentes da 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira) recolheram dois coletes balísticos, além de uma maleta e dois carregadores da pistola Taurus desmuniciados. Não foi encontrada a munição que o policial usava.

Bruno e mais três homens, entre eles seu pai, Lourival Ferreira de Lima, foram denunciados pelo Ministério Público nesta quinta-feira pela morte do perito. Segundo os promotores, Bruno atirou em Renato na última sexta-feira, na Praça da Bandeira, Zona Norte do Rio, com a ajuda dos outros três homens. No mesmo dia, foi arremessado ainda com vida no Rio Guandu.

Além de Bruno e seu pai, foram presos em flagrante pelo homicídio o sargento Manoel Vitor Silva Soares e o cabo Daris Fidelis Motta.

A denúncia do MP relata ainda que o crime foi cometido por motivo torpe, uma vez que a razão do desentendimento entre Renato e os denunciados era que a vítima ameaçou fechar um ferro-velho explorado por Bruno e Lourival, localizado na Praça da Bandeira, caso não fosse ressarcida por bens que teriam sido furtados de sua casa e teriam sido receptados pelo estabelecimento. Além disso, segundo os promotores, o homicídio foi praticado por asfixia (afogamento), já que Renato foi jogado ainda vivo no Rio Guandu por Bruno e Daris, com a ajuda de Manoel.

O documento também cita que o crime foi cometido mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Isso porque, no dia do assassinato, Lourival atraiu o perito para o estabelecimento, com a promessa de lhe ressarcir, e Renato foi surpreendido pelos demais envolvidos, que o atacaram. Daris e Manoel seguraram a vítima para que Bruno pudesse efetuar os disparos, diz a denúncia. Daris também ajudou a colocar a vítima no interior da van que os levou ao local, com o intuito de levá-la até a ponte, enquanto Manoel dirigiu o veículo.

Os denunciados também respondem por fraude processual. Segundo o MP, Lourival recolheu, do local onde aconteceram os disparos, os estojos ejetados da arma de fogo utilizada por Bruno, com o intuito de induzir a erro à perícia criminal — mesma prática utilizada pelos outros três denunciados, segundo o órgão. Após a vítima ser arremessada no Rio Guandu, os envolvidos lavaram os vestígios de sangue existentes no veículo utilizado para consumar o crime, acrescenta a denúncia.

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