Polícia apreende joia que seria dada por Ecko a sua mulher no dia dos namorados

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RIO - Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) apreenderam uma joia que seria dada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, a sua mulher no dia dos namorados. A apreensão ocorreu na casa onde ela mora com os três filhos e um cachorro. A casa, onde o miliciano foi morto em operação da Polícia Civil neste sábado, fica na comunidade das Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste do Rio.

Uma farda idêntica às usadas por policiais militares também foi encontrada no local. O chefe da maior milícia do Rio foi morto neste sábado em uma operação da Polícia Civil. Na roupa, havia a inscrição "Braga", sobrenome do paramilitar. Investigadores da Polícia Civil acreditam que Ecko tenha chegado à residência, na manhã deste sábado, vestindo a farda.

O chefe da maior milícia do Rio morreu após ser baleado em operação da Polícia Civil do Rio. Segundo informações da polícia, o miliciano foi baleado durante confronto e chegou a ser levado para o Hospital municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos dois ferimentos na região tórax. Ele foi alvejado em um corredor que dava acesso ao quarto do casal

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Ecko chegou morto à unidade. O miliciano foi socorrido de helicóptero para o Serviço Aeropolicial (SAER) da Coordenadoria de Recursos Especiais na Lagoa, e em seguida levado para o hospital.

O governador do Rio, Claudio Castro, tirou uma foto com os policiais civis que participaram da ação neste sábado.

Em razão da data, a operação foi denominada Dia dos Namorados. Ao longo de seis meses de investigação, a Polícia Civil concluiu, com base em informações da inteligência, que este seria o dia ideal para capturá-lo. Participaram da operação Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPim), Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Draco), Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) e Subsecretaria de Inteligência. A operação foi coordenada pela Subsecretaria de Planejamento Operacional.

Ecko chefiava o maior consórcio criminoso do Rio: sua milícia, antes restrita à Zona Oeste, que agora está presente em 20 bairros da capital e outros seis municípios da Baixada Fluminense e da Costa Verde.

Apesar de ser réu em nove processos criminais, Ecko circulava pela cidade escoltado por seguranças, frequentava casas em bairros nobres e dialogava com policiais, traficantes e pistoleiros.

Numa comparação com a criminalidade advinda do tráfico de drogas, a milícia de Ecko, composta majoritariamente de ex-membros do tráfico e não mais de policiais, é hoje maior que cada uma das três maiores facções criminosas do Rio de Janeiro, pelo critério de áreas dominadas.

Ecko assumiu o comando da maior milícia do Rio após a morte de seu irmão, Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, ocorrida em abril de 2017, durante uma ação da Polícia Civil também em Paciência, na Zona Oeste.

Sua ascensão provocou um racha na quadrilha, dando início a uma guerra pelo controle no grupo, que resultou nas mortes de pelo menos dez pessoas em dois meses. A escolha do novo chefe, usuário de drogas e apontado como um homem violento, desagradou os integrantes do bando, na ocasião com forte atuação em Campo Grande, Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, além de Seropédica e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Enquanto o antecessor, cujo reinado durou três anos, era um chefe espalhafatoso, que deixava ser bastante filmado e fotografado, frequentava bailes, tinha um time de futebol amador e ia aos campeonatos, onde era homenageado na beira do campo, Ecko tinha um perfil mais dicreto. Mais reservado, não costumava aparecer em público e, até pouco tempo, a polícia só tinha acesso a duas fotos do criminoso: a 3x4 tirada para sua identidade e uma em que aparece abraçado a uma mulher, durante uma festa.

Ligação com Adriano da Nóbrega

A ampliação dos domínios de Ecko teve relação com sua aproximação com o ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega. A cumplicidade entre os dois tornou possível uma inédita aliança entre diferentes grupos criminosos, que acabou ampliando o avanço das milícias pelo estado.

Se antes os grupos paramilitares das zonas Oeste e Norte do Rio agiam de forma independente e descoordenada, depois da aproximação entre Ecko e Adriano passaram a ser sócios, atacando favelas dominadas pelo tráfico e, juntos, defendendo seus redutos de ataques rivais.

“Ecko e Adriano formaram um corredor entre as zonas Norte e Oeste todo dominado pela milícia”, resumiu um policial federal que investigou a conexão entre as quadrilhas.

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