Polícia apura remoção de cabos para venda de 'internet do tráfico' no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Técnicos de operadoras de telecomunicações precisaram de escolta policial para reparar a rede de cabos que foi danificada há dez dias no conjunto habitacional do Ipase (Instituto de Previdência e Aposentadoria dos Servidores do Estado), na Vila Kosmos, zona norte do Rio de Janeiro.

Traficantes que passaram a dominar a região em agosto foram os responsáveis, segundo a polícia, por remover a rede de fios. O objetivo, de acordo com as autoridades, é coagir os moradores a assinarem um plano de internet comandado pelo tráfico. A Polícia Civil investiga a ação.

Policiais militares do 41° Batalhão (Irajá) fizeram na última terça-feira (30) uma operação nas favelas ao redor do conjunto e apoiaram operadores de internet e TV por assinatura durante o restabelecimento dos serviços. Durante a manhã, enquanto técnicos trocavam os fios, houve tiroteio na região.

O corte dos fios dos postes aconteceu no último dia 19, quando, segundo testemunhas, homens encapuzados entraram no conjunto para danificar os cabos.

Desde então, a maior parte dos clientes ficou sem internet e, segundo moradores, apenas uma empresa consegue atuar na região. As demais dizem não há segurança para efetuar os reparos.

Segundo um morador ouvido pela reportagem, que pediu o anonimato, no dia 23, quando uma das empresas prestadoras de serviço avisou quanto ao corte de cabos, foi comunicado que funcionários estariam impedidos por criminosos de entrarem no bairro.

Outro vizinho, que também preferiu não se identificar, disse que há moradores se mudando do bairro por medo após o corte de cabos.

A Conexis, entidade que reúne empresas de telefonia, estima que o Rio de Janeiro teve 504,1 mil metros de cabos de telecomunicação furtados ou roubados em 2021. O estado é o terceiro com mais registros no país, atrás de São Paulo e Paraná.

"Em algumas cidades o problema do roubo e vandalismo de cabos, geradores, baterias, entre outros equipamentos, se soma ao bloqueio de acesso das equipes das prestadoras para a manutenção de seus equipamentos, usados para a prestação do serviço. As operadoras ficam sem acesso aos equipamentos e impedidas de dar a manutenção necessária à prestação do serviço", disse o sindicato.

Fundado como um complexo habitacional para servidores do estado do Rio de Janeiro, o Ipase fica localizado em uma área de disputa entre traficantes e milicianos. Segundo os moradores, criminosos rivais estão em confronto para dominar as atividades ilícitas da região, como a exploração de TVs por assinatura ilegais, gás e internet.