Polícia apura se funcionários ou terceiros possam ter responsabilidade em alteração de água da Cedae

Marcos Nunes
A estação de tratamento do Guandu

RIO — Agentes da Delegacia de Defesa de Serviços Delegados  (DDSD) estão, na manhã desta quinta-feira, na Estação de Tratamento de Água do Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A informação sobre a ação da Polícia Civil foi publicada pela coluna de Ancelmo Gois. A operação acontece dias depois de a água da Cedae ser alvo de queixas da população em virtude de seu forte odor e gosto ruim.

— Estamos coletando dados para direcionar uma investigação — disse o delegado Julio Silva, titular da unidade.

Em nota, a Polícia Civil informou que as diligência no Guandu fazem parte "de uma investigação para apurar eventual responsabilidade penal de funcionários da Cedae ou de terceiros que possam ter contribuído, por ação ou omissão, nas alterações das condições de consumo da água verificada nos últimos dias na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro".

O policial não deu mais detalhes sobre o que seria essa investigação. Nesta quarta-feira, quando a crise da água no Rio e também na Baixada Fluminense completou 13 dias, o presidente da Cedae, Hélio Cabral, falou pela primeira vez sobre assunto em uma entrevista coletiva. Ele pediu desculpas pelos transtornos causados à população e afirmou que “muito em breve” a situação será normalizada.

— Aproveito para pedir desculpas a toda população pelos transtornos ocorridos no nosso abastecimento de água — disse ele.

A previsão da companhia é que o equipamento de carvão ativado seja instalado na próxima semana. Depois, segundo Cabral, a estimativa é de que a água do Guandu estará sem presença de geosmina dentro de 24 horas — para o consumidor, no entanto, a melhoria das condições ainda vai depender do tamanho do reservatório de cada residência.

Além de gosto e cheiro fortes, as pessoas percebem também alterações na cor da água. Segundo o presidente da Cedae, a mudança na cor é causada pela geosmina. Cabral disse, ainda, que é preciso ver caso a caso e que há relatos de funcionários da Cedae que, acionados por consumidores, constataram problemas como animais mortos e caixa d'água suja.