Polícia apura se quadrilha que invadiu pousada na Região dos Lagos tinha informações privilegiadas de vítimas

A Polícia Civil investiga se a quadrilha suspeita de invadir o quarto de uma pousada em Saquarema, na Região do Lagos, recebeu informações privilegiadas sobre as vítimas. O casal, além de roubado, ainda foi sequestrado pelos criminosos e obrigado a fazer transferências bancárias. O prejuízo foi estimado em mais de R$ 50 mil. Investigadores da 119ª DP (Rio Bonito) apuram a participação de outras pessoas, além dos criminosos já identificados, que podem ter fornecido dados relativos ao patrimônio do casal.

Liberados: Entre 1,8 mil presos que deixam a cadeia no 'saidão de Natal' no Rio estão traficantes e chefes de quadrilha

Flagradas: Três presas escavam túnel para fugir e são transferidas para presídio de segurança máxima em Bangu

Em depoimento à polícia, a mulher que foi vítima do grupo relatou que um dos bandidos disse, dentro do quarto da pousada, que “a parada foi dada” e alegou saber que ela e o namorado tinham R$ 200 mil em espécie. O rapaz chegou a levar coronhadas dos bandidos, que exigiam o dinheiro. A quadrilha levou, do quarto, joias, cartões, R$ 300 em espécie e perfumes. Em seguida, sequestrou o casal, que foi levado em um carro para o município de Rio Bonito.

Ainda em seu depoimento, a mulher contou que um dos criminosos mostrou, já dentro do veículo, que tinha levado uma câmera da pousada. Ele então foi questionado por um comparsa por que tomou tal atitude, já que eles tiveram informação de que o equipamento não funcionava. "O cara disse que a câmera não estava funcionando”, teria dito o outro bandido.

Veja vídeo: Empresário é procurado após matar ex-mulher com quatro tiros na Região dos Lagos

Maior número desde 2016: Uma pessoa desapareceu a cada seis horas na Baixada Fluminense em 2022

Uma das suspeitas de integrar a quadrilha – Jhenifer de Castro Ferreira – foi presa em flagrante nessa quinta-feira por policiais da 119ª DP (Rio Bonito). Outros integrantes da quadrilha já foram identificados pela investigação e estão foragidos.

Vítimas sequestradas por 13 horas

Segundo informações da Polícia Civil, o casal teve o quarto da pousada invadido por volta das 3h30 do dia 4 de janeiro por três criminosos armados que levaram joias, cartões, dinheiro e perfumes. No local, os bandidos determinaram que a mulher fizesse transferências, mas em razão do horário não foi possível fazer a transação. Apenas o companheiro dela conseguiu realizar um Pix de R$ 1 mil para a conta de Jhenifer.

Para conseguir fazer novas transferências, os criminosos decidiram sequestrar as vítimas. Eles ficaram sob o poder dos bandidos por 13 horas. Segundo a mulher, quando o dia amanheceu, ela foi obrigada a fazer diversas transferências para contas diferentes, uma dela de Jhenifer, que totalizaram R$ 24,5 mil. O namorado dela também fez transferências que totalizaram R$ 4 mil.

O casal foi levado de carro para Rio Bonito e, no município, levado para diversos imóveis. A quadrilha trocava as vítimas de local sempre que tinha a informação, por rádio, sobre a movimentação de viaturas policiais. Durante o período em que as vítimas ficaram sob o poder dos criminosos, um deles falava constantemente com a mulher chamada Jhenifer, que os investigadores acreditam se tratar da mulher presa em flagrante.

Além das transferências por Pix, os criminosos usaram os cartões bancários das vítimas para fazer compras, inclusive de carne, alegando que fariam um churrasco, segundo relatos das vítimas.

Jhenifer de Castro Ferreira foi presa em casa, em Rio Bonito, e autuada em flagrante pelos crimes de extorsão qualificada pela restrição da liberdade das vítimas e associação criminosa qualificada. Os outros criminosos que participaram da ação já foram identificados, mas fugiram da comunidade em que atuam. Todos são envolvidos com o tráfico de drogas local. A Polícia Civil tenta localizá-los.

— Fica claro que os autores praticaram pelo menos dois crimes nessa ação criminosa, um roubo, quando eles subtraem bens das vítimas ainda no quarto de hotel, e, posteriormente, uma extorsão, com restrição da liberdade das vítimas, quando eles levam essas vítimas para um esconderijo e fazem as transferências de valores via Pix, aquele crime que é popularmente chamado de sequestro-relâmpago. Há ainda, nesse caso, uma associação criminosa porque fica evidenciado que os criminosos mantinham entre eles um vínculo estável e permanente. Todos aqueles que participaram da ação criminosa já estão identificados. A polícia segue a procura deles, que estão foragidos.