Polícia britânica pede que agentes respeitem protestos contra a monarquia

A polícia britânica lembrou a seus agentes que o público tem o direito de protestar contra a monarquia, após um vídeo mostrando policiais conduzindo uma manifestante e outros episódios semelhantes após a morte da rainha Elizabeth II.

"O público tem absolutamente o direito de protestar", disse o vice-comissário da Polícia Metropolitana Stuart Cundy em um comunicado.

"Deixamos claro para todos os agentes envolvidos na operação policial extraordinária que está sendo realizada e continuaremos a fazê-lo", acrescentou.

Cundy acrescentou que a "maioria esmagadora das interações" entre oficiais e pessoas foi "positiva", já que as multidões se aglomeram no centro de Londres e em outros lugares para prestar seus respeitos após a morte da rainha Elizabeth II.

A morte da popular monarca de 96 anos provocou uma onda de comoção de unanimidade incomum, com homenagens até mesmo de republicanos da Irlanda do Norte ou separatistas escoceses, mas também houve vozes dissonantes.

O esclarecimento do comando policial veio depois que imagens de uma manifestante segurando uma faixa de protesto com os dizeres "Ele não é meu rei" se tornaram virais, uma vez que ela foi abordada por pelo menos quatro agentes nos portões do Parlamento britânico em Londres.

Ela foi vista sendo escoltada para fora do local e teria sido forçada a permanecer longe dos portões do Parlamento.

Uma testemunha disse à mídia britânica que ela não foi presa e foi autorizada a continuar seu protesto.

Mais cedo, a mulher e um homem anti-monarquista foram vaiados pela multidão do lado de fora do Parlamento quando o rei Charles III fez seu primeiro discurso aos legisladores.

O casal segurava cartazes com os dizeres "Fim do feudalismo", "Abolição da monarquia" e "Não é meu rei", enquanto o novo monarca se dirigia aos legisladores.

Além disso, foi relatado que outra mulher segurando uma faixa dizendo "abolição da monarquia" em uma cerimônia de proclamação do rei Charles III em Edimburgo no domingo foi indiciada por um delito penal.

O grupo de direitos civis Big Brother Watch criticou o tratamento policial dos protestos.

"Se as pessoas são detidas simplesmente por carregarem cartazes de protesto, é uma afronta à democracia e muito provavelmente ilegal", denunciou.

"Os policiais têm o dever de proteger o direito das pessoas de protestar, bem como facilitar o direito das pessoas de expressar seu apoio, sua dor ou prestar seus respeitos", afirmou o comunicado.

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