Polícia Civil apreende maior carga de ingrediente de adesivo usado em crack e cocaína

SÃO PAULO, SP, 24.05.2022 - Movimentação no fluxo da cracolândia na rua Helvétia, esquina com avenida São João, na região central de SP. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 24.05.2022 - Movimentação no fluxo da cracolândia na rua Helvétia, esquina com avenida São João, na região central de SP. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo apreendeu 366 quilos de Irganox 1076, substância que é dissolvida em drogas como crack e cocaína para ganho de volume. O material estava em um caminhão que foi abordado por agentes do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão a Narcoticos) na praça de pedágio da rodovia Dom Pedro I, em Atibaia, no interior de São Paulo, na noite de sexta-feira (10).

Dois homens foram presos em flagrante por tráfico de drogas. Após audiência de custódia, eles foram conduzidos para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Jundiaí.

De acordo com a Polícia Civil, a apreensão foi a maior da história no estado. A Polícia Civil chegou a informar que o material apreendido no caminhão era cocaína, devido à semelhança na coloração e nos moldes como estava embalado. No entanto, após análise no Instituto de Criminalística foi confirmado se tratar de Irganox.

Conforme o toxicologista Julio de Carvalho Ponce, o Irganox é um plastificante e antioxidante, com uso diverso, como em formulações de plásticos.

Mesmo sendo uma substância legalizada, a Polícia Civil entendeu que a dupla se enquadra em um trecho do artigo que remete ao tráfico, que também determina a prisão para aquele que importa, exporta, fabrica, adquire, vende, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas.

"Ela pode ser usada como insumo para cocaína e para crack, mas ela vem sendo usada mais como insumo para crack. É uma coisa muito nova, quase que inédita", disse o delegado do Denarc Fernando Santiago.

Segundo o site da fabricante Basf, o Irganox 1076 é recomendado para uso na fabricação de adesivos hot-melt (como os de armas de cola quente), resinas, selantes, adesivos para pisos de madeira e produtos para telhados.

Santiago explicou que a substância saiu da zona sul da capital e deveria abastecer a região de Atibaia e o sul de Minas Gerais. A polícia passou a monitorar o caminhão após a descoberta de um laboratório para refino de cocaína e crack no Jardim Apurá, na zona sul da capital, no dia anterior.

No local, foram encontradas três máquinas empacotadoras automáticas de sachês, utilizadas na confecção de papelotes de cocaína e 10 quilos da droga. Durante as buscas, os policiais também encontraram cerca de 2 kg de Irganox, o que chamou atenção do serviço de inteligência, que levantou informações sobre o caminhão, que foi monitorado até a praça de pedágio.

O delegado Fernando Santiago afirmou ter buscado por Irganox em boletins de ocorrência no estado, mas nada fora encontrado.

"A cocaína é uma droga muito cara, tinha um nicho de consumidores, pessoas que têm um pouco mais de dinheiro e, para aumentar o lucro, as organizações criminosas passaram a aumentar a produção do crack, para poder lucrar mais e atingir esse nicho de pessoas bem pobres, e até miseráveis, que não têm condições de acesso à cocaína", disse Santiago.

No boletim de ocorrência não consta o termo de depoimento da dupla presa, um homem de 57 anos e um jovem de 32. Mas, segundo o documento, ainda na praça de pedágio, eles informaram que estariam "transportando uma carga com produtos diversos para a cidade de Belo Horizonte (MG), sendo que o frete foi contratado através de um aplicativo de nome 'frete Bras', afirmando não ter mantido nenhum contato pessoal com seu contratante, podendo apenas afirmar que teria retirado a carga na cidade de Jundiaí".

À Folha, o toxicologista Julio de Carvalho Ponce afirmou que o uso da substância seria apenas para aumento da massa da droga. "Não imagino que dê qualquer efeito farmacológico, e é possível que esteja sendo adicionado apenas para dar mais volume".

Segundo ele, o material deve ser utilizado apenas para seus fins originais, já que pode acarretar em problemas de saúde. "Como é pouco solúvel em água, pode bloquear as vias aéreas se consumido por inalação", explicou.

"Imagino que teria o mesmo risco [uso de crack e cocaína], porque ambos vão para o pulmão quando do consumo."

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