Polícia Civil apresenta resultado do inquérito que apura morte de Henry

Rafael Nascimento de Souza
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A Polícia Civil do Rio apresenta nesta terça-feira (4) o resultado do inquérito que apura a morte de Henry Borel Medeiros, de 4 anos. Uma coletiva de imprensa começou por volta de 11h e reuniu os investigadores. No documento, foram indiciados a mãe do menino, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, e o namorado dela, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), pelo crime de homicídio duplamente qualificado, por emprego de tortura e impossibilidade de defesa do menino. O parlamentar também foi indiciado duas vezes por tortura, e a professora uma vez, por conta de outros episódios de violência praticados contra Henry — inclusive um relatado pela babá em tempo real à professora, durante a tarde de 12 de fevereiro.

Um pedido à Justiça de conversão da prisão temporária do casal em preventiva também foi feito. Os dois já encontram-se atrás das grades desde o dia 8 de abril, sob acusação de tentar atrapalhar as investigações. O relatório está sendo encaminhado ao promotor Marcos Kac, do Ministério Público do Rio, que deverá oferecer eventual denúncia à juíza Elizabeth Louro Machado, titular do II Tribunal do Júri, nos próximos dias.

Com a conclusão das investigações, Monique não será ouvida pela segunda vez na delegacia, como havia sido solicitado por sua nova defesa. Ao assumirem o caso, os advogados Thiago Minagé, Hugo Novaes e Thaise Mattar informaram que a professora acenava por uma vontade de “contar a verdade” sobre o que ocorrera no apartamento 203 do bloco I do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, na madrugada de 8 de março. No primeiro depoimento, oito dias depois, Monique contou ter encontrado o filho no chão, com pés e mãos gelados e olhos revirados, e disse acreditar que ele tinha caído da cama.

Em mensagens recuperadas no celular da professora pela Polícia Civil, que constam no inquérito e foram obtidas com exclusividade por O GLOBO, Monique demonstrava já ter vontade de montar uma estratégia de defesa separada, em 16 de março. “Vou procurar outro advogado. Sabe por quê? Porque ele é seu advogado e não o meu. Se for para defender alguém, será você, não a mim”, escreveu ela a Jairinho.

Em cartas escritas por Monique da cadeia, a professora afirma ter combinando com Jairinho uma “versão inventada” sobre a morte de Henry. A estratégia teria sido, segundo ela, a condição dada pelo advogado André França Barreto para defender o casal no inquérito que os investigava pelo homicídio.