Polícia Civil conclui que Marcelo Pesseghini matou família em SP



Passados mais de nove meses da morte de cinco membros da família Pesseghini, a Polícia Civil de São Paulo concluiu, nesta terça-feira (20), o inquérito sobre o crime que chocou o país em 5 de agosto de 2013. O estudante Marcelo Pesseghini, de 13 anos, que se suicidou, é dado como o autor das mortes.

A investigação, coordenada pelo delegado Charlie Wei Ming Wang, determinou que o garoto foi o responsável pelas mortes do pai, Luis Marcelo Pesseghini, de 40 anos,  da mãe, Andréia Bovo Pesseghini, de 36 anos, da avó Benedita Bovo, de 57 anos e da tia-avó Bernadete Bovo, de 55.

Exames toxicológicos apontaram tranquilizantes, relaxantes musculares e analgésicos no corpo da avó Benedita. Já a mãe, Andréia Bovo, teve resultado positivo para antidepressivos, analgésicos e anti-inflamatórios. O pai e a tia-avó não tiveram substâncias encontradas nos exames.

Desde o primeiro dia depois das mortes, o garoto já era apontado como principal suspeita pelo crime. O inquérito de 2.000 páginas foi enviado na última sexta-feira (16) ao Ministério Público. O promotor de Justiça Daniel Tosta, do 2º Tribunal do Júri de Santana, terá agora 15 dias para analisar o documento e decidir se requisita novas diligências ou se pede o arquivamento do caso.

Duas semanas antes das mortes, no dia 5, na residência da família na Brasilândia, zona norte de São Paulo, Marcelo teria começado a apontar a arma do pai para parentes e tentado ir à escola vestindo uma touca.

Todas as cinco vítimas foram mortas com um tiro na cabeça, com exceção de Andreia, que teria sido atingida à queima-roupa na nuca, de acordo com boletim de ocorrência.

Ele teria acesso à arma do pai, o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Luís Marcelo Pesseghini que era casado com a cabo Andréia Regina Pesseghini. Cinco crianças que estudavam com o garoto no Colégio Stella Rodrigues já foram à polícia. Segundo pessoas que acompanharam as investigações, Marcelo havia avisado da intenção de matar os pais.

Bom filho
Logo nos primeiros depoimentos, o garoto foi retratado como um filho exemplar e bom aluno. Mas, de acordo com policiais, os professores e pais de alunos não tinham conhecimento dos comentários que fazia no colégio. Segundo a investigação, os próprios pais de Marcelo poderiam não ter prestado atenção à mudança de comportamento do filho.

O menino teria tido um surto psicótico, o que o levou a cometer os assassinatos. Psicólogos avalariam que o garoto não gostava de ser oprimido. Na escola, criou um grupo de amigos chamado de Mercenários, que tinha como objetivo matar desafetos, incluindo a família e a diretora de sua escola.

Colegas de classe confirmaram, em depoimento, que o próprio garoto teria contado aos amigos que matou os pais, uma avó e uma tia-avó na madrugada do dia 5 de agosto.

Contradição
O levantamento de arquivos em celulares da família Pesseghini, de um computador e um tablet de Marcelo mostram imagens conflitantes com perfil psicológico do adolescente de 13 anos feito pela perícia técnica, que indica um menino perturbado que pensava ser um matador. Nas fotos, a família aparece unida e feliz. A mãe segura um coração feito pelo filho. O pai faz careta para a câmera dirigindo o carro.

No tablet, uma das primeiras imagens armazenadas era do personagem principal do jogo Assassin´s Creed. Foram realizadas pesquisa no computador da família de termos como "matar os pais" e "sonífero". Os resultados deram negativos.