Polícia Civil do DF abre inquérito para investigar PM suspeito de homofobia contra colega de farda

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RIO — A Polícia Civil do Distrito Federal instaurou nesta segunda-feira um inquérito para investigar uma suspeita de crime de homofobia por parte do sargento da Polícia Militar Astrogilson Alves de Freitas. O policial é apontado como autor de um áudio com comentários homofóbicos direcionados ao soldado Henrique Harrison, de 29 anos. A vítima foi atacada após a publicação de uma foto dando um beijo em seu marido após cerimônia de formatura.

O áudio atribuído à Freitas começou a circular em grupos de policiais militares no WhatsApp, em janeiro do ano passado. Naquela altura, Harrison tinha acabado de se formar no curso de soldados da corporação. Depois da formatura, ele foi fotografado de farda ao dar um "selinho" no companheiro.

— Numa guarnição minha, um cara desse não entra. Se entrar, já ouviu falar em fogo amigo? Vocês conhecem o fogo amigo, né? Fogo amigo não é só atirar nos outros, não — disse Freitas.

— Nós todos já fomos sancionados durante a carreira aí, quase 30 anos [de carreira] e tu sabe que tem isso mesmo (sic), entendeu? — acrescentou. — A gente pode até ficar calado, mas tem outro jeito de sancionar esse tipo de situação — finalizou o sargento.

Freitas questionou: "dois viadinho entra (sic) na polícia para ficar beijando? Para fazer sucesso no jornal? Porra nenhuma, mermão". Ele ainda sugeriu, em referência a Harrison, que "daqui uns dias está de calcinha dentro da viatura".

Procurada pelo GLOBO, a PM-DF informou que “decisões judiciais são cumpridas na íntegra pela Polícia Militar quando envolve a corporação. Quando a condenação é particular, referente a um integrante da PM, a instituição não se manifesta”.

Providências

A investigação será conduzida na Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência.

A portaria que estabelece a abertura do inquérito determina que a Corregedoria da PM-DF seja oficiada. O documento também solicita que o órgão policial intime e apresente Freitas para prestar depoimento.

Danos morais

O sargento Freitas foi condenado por danos morais pelos ataques homofóbicos feitos contra Harrison. A decisão do juiz João Luis Zorzo, da 15ª Vara Cível de Brasília, estabeleceu o pagamento de R$ 5 mil.

A defesa de Harrison recorreu da decisão. O pedido inicial foi de R$ 25 mil. Na altura em que a sentença foi proferida, o advogado Jostter Marinho alegou que Freitas foi um dos disseminadores principais de homofobia e teve papel central nas ofensas dirigidas à vítima.

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