Polícia Civil diz que 260 terroristas já foram presos em flagrante por invasão aos Poderes

Ao menos 260 pessoas foram presas por invadirem os prédios do Congresso, Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo, informou a Polícia Civil. Todos os detidos são levados para a sede da Polícia Civil para serem identificados e ouvidos no inquérito que vai investigar os atos terroristas que culminaram na invasão e depredação de prédios públicos e na agressão a profissionais de imprensa.

Mais cedo, o ministro da Justiça Flávio Dino afirmou na noite deste domingo que cerca de 200 terroristas já foram presos em flagrante pelos atos de invasão aos Três Poderes. Disse ainda que cerca de 40 ônibus foram apreendidos por terem sido usados para deslocar os manifestantes de outros estados para Brasília.

De acordo com o ministro, esse número ainda pode crescer porque os detidos ainda estão sendo contabilizados. Mais cedo, a Polícia Civil do Distrito Federal havia estimado que cerca de 170 terroristas foram presos em flagrante.

- Temos aproximadamente 40 ônibus apreendidos. Porque esses ônibus são instrumento de perpetuação de crimes. Já identificamos todos os ônibus que se dirigiram a Brasília e todos os financiadores de tais ônibus - disse.

Os presos devem ser autuados por crimes contra o estado democrático, que preveem punição de prisão de quatro a doze anos. Quem é indiciado por esse crime fica detido e só poderá ser liberado após audiência de custódia.

Os detidos foram inicialmente conduzidos ao Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil, que vai lavrar os flagrantes. Depois, devem ser encaminhados ao Complexo Penitenciário da Papuda.

O GLOBO acompanhou o momento em que a Polícia Militar entrou no Palácio do Planalto para desocupar o prédio e prendeu os manifestantes que estavam lá dentro. Foram ao menos 20 pessoas presas no local. Eles foram revistados, para verificar se possuíam artefatos perigosos, e colocados em um ônibus da PM, que os encaminhou para uma delegacia.

Agentes da Polícia Militar do Distrito Federal e da Força Nacional de Segurança retiraram praticamente todos os manifestantes que estavam no acampamento bolsonarista em frente ao QG do Exército, Brasília. Ao todos, 1.200 pessoas foram detidas no local.

Segundo informações policiais, muitos dos participantes dos atos de terrorismo na Praça dos Três Poderes deste domingo voltaram ao acampamento na noite de ontem. De acordo com o Ministério da Justiça, o número ainda poderá ser atualizado.

Segundo a pasta, os radicais foram encaminhados para a Polícia Federal para averiguação, em cerca de 40 ônibus. Eles passarão por uma triagem. O prazo de 24 horas para prisões em flagrante ainda está vigente.

Os terroristas detidos após os ataques ao Palácio do Planalto, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF), neste domingo também estão sendo encaminhados para o Complexo Penitenciário da Papuda (homens) e para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (mulheres). Em nota, a Polícia Civil (PCDF) confirma que ontem foram detidas pelo menos 300 pessoas.

Ainda no domingo à noite, a juíza Leila Cury, à frente da Vara de Execuções Penais do DF, autorizou a transferência desses suspeito para as duas penitenciárias, sem audiência de custódia. “As investigações seguem até que o último integrante seja identificado”, informou a PCDF pelas redes sociais.

No Distrito Federal, acampados estão sendo transportados de ônibus; no Rio, manifestação também é desmobilizada.

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que estão acampados na Praça Duque de Caxias, em frente ao prédio do Comando Militar do Leste, na Central do Brasil, começaram a retirar suas faixas e pertences do local.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na madrugada desta segunda-feira a "desocupação e dissolução total" em 24 horas dos acampamentos realizados nas "imediações dos quartéis generais e outras unidades militares para a prática de atos antidemocráticos" e a prisão em flagrante de seus participantes "pela prática dos crimes de atos terroristas, inclusive preparatórios".