Polícia Civil investiga homicídio culposo em morte de mulher atropelada por viatura da PM na Zona Norte

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RIO — Descrita por parentes e amigos como uma pessoa alegre que gostava de ajudar o próximo, a auxiliar de serviços gerais Maria Santos Silva, de 58 anos, perdeu a vida a poucos metros de casa. Moradora de uma rua que fica no entorno do Complexo do Chapadão, na divisa de Anchieta, Zona Norte do Rio, com o bairro Paiol, em Nilópolis, Baixada Fluminense, Maria, também conhecida como Zezé, voltava de uma padaria, nesta terça-feira, quando foi atropelada por uma patrulha da PM a 200 metros de sua residência. Ela ainda chegou a ser socorrida e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Juscelino Kubitschek, mas, segundo a direção, já chegou morta.

Segundo parentes e amigos, não havia tiroteio quando a patrulha da PM entrou em alta velocidade no local. Maria era mãe de dois filhos e avó de três netos.

— Não tinha tiroteio. Os moradores contaram que a viatura da PM entrou correndo. Ela tinha acabado de voltar do médico onde fez exames de rotina. Parou numa padaria e, ao sair de lá, foi atropelada pelo carro da PM. Eles (PMs) só socorreram porque os moradores insistiram para que isso acontecesse. Até agora a PM não procurou a família — contou uma amiga da vítima.

Confira vídeo que mostra minutos depois do atropelamento:

Zezé integrava um trabalho social. Há dez anos, ela cozinhava e ajudava a distribuir comida para pessoas em situação de rua. A distribuição era feita sempre aos domingos, no Centro do Rio.

— A Zezé era muito alegre e vivia sorrindo e brincando. Integrava o projeto Amizade Solidária há dez anos. Ela era a cozinheira do grupo e ajudava também na distribuição das quentinhas. Neste período, ajudou a produzir e distribuir mais de cem mil refeições. A família dela está chocada com tudo isso — disse um amigo de Zezé que também integra o projeto.

A morte de Maria Santos Silva será investigada como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pela 57ª DP (Nilópolis). A patrulha responsável pelo atropelamento da vítima pertence ao 20º BPM (Mesquita). Testemunhas já foram ouvidas na delegacia.

Em vídeo que circula nas redes sociais, uma mulher afirma que Maria foi arrastada pelo veículo da corporação: "Arrastaram o corpo dela pelo chão. Olha a distância do carro. Só entram aqui voado. Tiraram o corpo dela às pressas, sabendo que não poderia mexer". Em outra imagem, aparecem dois policiais perto da vítima e uma moradora pede para que não mexam nela.

Em nota, a Polícia Militar informou que agentes do 20º BPM (Mesquita) estavam em patrulhamento pelo bairro Paiol de Pólvora, em Nilópolis, quando foram atacados por homens armados que efetuaram disparos em direção à viatura. Os policiais reagiram e, após o confronto, dois suspeitos foram detidos e um revólver foi apreendido.

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