Polícia Civil pede revogação da prisão de comerciante chinês em Madureira

Rafael Nascimento de Souza
Policiais militares do serviço de Inteligência são acusados de se passar por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) para extorquir comerciantes

RIO - A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) irá comunicar a Justiça que a prisão do comerciante chinês Chen Zhengwu, em Madureira, no último dia 21 de outubro, por agentes da Subsecretaria de Inteligência (SSI) da Polícia Militar, foi "forjada". O objetivo é que a prisão do homem seja revista pelo judiciário. Cinco PMs da SSI foram presos nesta sexta-feira acusados de montar um gabinete do crime dentro do Quartel-Geral da PM, no Centro do Rio, para extorquir comerciantes. Eles se passavam por policias civis da DRCPIM.

Segundo fontes da Polícia Civil, no dia da prisão de Zhengwu, pelo menos cinco agentes haviam combinado de pegar um valor de propina com o homem. No entanto, ele só tinha R$ 10 mil. Irritados com a quantia, os falsos policias civis prenderam o empresário e o acusaram de contratando e tentativa de suborno.

De acordo com as investigações, a prisão de Zhengwu serviu como exemplo para outros empresários e comerciantes, principalmente de Madureira, que não estavam pagando o suborno estipulado pelos policias militares da Subsecretaria de Inteligência da PM.

Após ser preso, o homem foi levado para uma delegacia da área e há nove dias está preso. Ele foi acusado de contrabandear três toneladas de mercadorias chinesas avaliadas em milhões.

Já se sabe que o bando criminoso fazia de quatro a cinco extorsões por dia, e os valores contados por eles chegavam a R$ 100 mil, dependendo da mercadoria. Os investigadores dizem que os criminosos atuavam nas Regiões Metropolitana, Serrana e dos Lagos.

Após se vingarem de Zhengwu, que não pagou o valor acordado, os militares acabaram roubando diversas mercadorias do comerciante. Na operação de ontem, a Polícia Civil encontrou roupas e brinquedos — que eram produtos do comerciante chinês — nas casas do sargento Roberto Campos Machado e do tenente Victor Magnano Mangia.

Após serem presos, os cinco dos sete PMs, não quiseram prestar depoimento à DRCPIM. Todos os militares ficaram em silêncio. Em seguida foram encaminhados para o Batalhão Prisional da Polícia Militar, no Fonseca, em Niterói. A prisão é de cinco dias e pode ser prorrogada.