Polícia Civil prende três pessoas em esquema de fraude imobiliária que ultrapassa R$ 3,6 milhões em prejuízos

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RIO — Policiais civis da 4ª DP (Praça da República) realizaram, nesta segunda-feira, a Operação Casa de Papel, para desarticular um esquema de fraude imobiliária que fez mais de 180 vítimas no Rio de Janeiro, com prejuízos que somaram mais de R$ 3,6 milhões. De acordo com as investigações, esses números podem ser ainda maiores e o grupo criminoso já havia aplicado golpes no Distrito Federal, São Paulo e Maranhão.

A suposta financeira, que se apresenta como cooperativa habitacional, foi estourada pelos agentes, que conduziram mais de dez pessoas para a delegacia. Até agora, três delas foram presas em flagrante. Um dos presos tem mais de 80 passagens pela polícia, a maior parte por estelionato e ameaça. A ação desta segunda-feira foi apenas a primeira fase da investigação e as equipes continuam nas ruas.

Os investigadores chegaram a flagrar novos clientes assinando contratos quando foram estourar o escritório que fica na Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio, na tarde desta segunda-feira. Enquanto as equipes estavam no local, mais de dez novas vítimas chegaram para também assinar contratos. Já na delegacia e cientes do esquema, as vítimas da fraude chegaram a aplaudir a entrada dos presos. Um dos detidos chega a debochar da situação mandando beijinhos para as pessoas.

As investigações da Polícia Civil, que começaram a partir de denúncias de vítimas, revelaram que o grupo criminoso simula um financiamento para compra da casa própria, com entradas a partir de R$ 10 mil. As vítimas começam a pagar e, quando pedem para ver a casa, os estelionatários apresentam, de forma dissimulada, um imóvel como se estivesse disponível. Porém, as residências apresentadas não estão à venda pela cooperativa. Em geral, o grupo utiliza imagens pegas na internet, em sites de vendas de imóveis, para enganar os clientes. Tudo é feito utilizando as redes sociais e sites na internet para atrair novas vítimas.

Segundo a polícia, quando a pessoa descobre que caiu em um golpe e tenta reaver o dinheiro, o grupo criminoso começa a cobrar multas por "quebra de contrato" e taxas que não existem para justificar a não devolução da quantia paga.

— Este caso chegou através de várias vítimas, que nos procuraram ao perceberem que tinham caído em um golpe. Iniciamos as investigações e conseguimos localizar mais de 180 pessoas que foram vitimadas, com prejuízos que somam cifras milionárias. Algumas dessas vítimas são pessoas humildes, que juntaram dinheiro por muitos anos para realizar o sonho da casa própria e perderam tudo — disse a delegada Patrícia Aguiar.