Polícia Civil do Rio vai retomar investigações após STF liberar compartilhamento de dados

Rafael Nascimento de Souza
Draco faz Operação para prender quadrilha de milicianos na Baixada

RIO — Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar o compartilhamento de dados de órgãos de controle com o Ministério Público (MP), a Polícia Civil do Rio vai retomar as centenas de investigações que estavam paradas após a decisão do ministro Dias Toffoli, em julho, que havia mandado paralisar as investigações baseadas em informações detalhadas repassadas pela Receita Federal e pelo antigo Coaf, hoje rebatizado de Unidade de Inteligência Financeira (UIF).

As delegacias especializadas que voltarão imediatamente a investigações com relatórios de inteligência financeira são as de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR) e a de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco).

Estima-se que mais de 200 inquéritos foram impedidos de prosseguirem, quando em meados de julho, Toffoli ordenou que parassem, em todo o país, as investigações embasadas em informações compartilhadas pelo Coaf e pelo Fisco sem autorização da Justiça.

Um dos inquéritos que voltará a seguir é o das movimentações suspeitas de Ronnie Lessa, policial militar reformado acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes e que estava paralisado no Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro.

A delegada Patrícia Alemany, chefe do DGCOR, comemorou a decisão do STF.

— Essa sentença é significante e importante no combate das organizações criminosas, tanto na lavagem de dinheiro quanto os crimes de corrupção — salientou Alemany.

Só em seu departamento foram 140 investigações interrompidas. Entre os inquéritos estão trágico de drogas, milícia, corrupção e contravenção. Uma investigação contra o desvio de verbas de uma Prefeitura da Região Metropolitana também retornará nos próximos dias.

— Só iremos esperar a questão da tese (como será feito o compartilhamento de dados com o MP). Essa decisão será uma estabilidade e um avanço na repressão a lavagem de dinheiro no Rio e no país — afirmou Alemany.

Outras dezenas de investigações que serão retomadas estão na Draco. Entre elas uma contra o miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko, que comanda o maior grupo paramilitar do estado. Os agentes também voltarão a investigar a lavagem de dinheiro de milícias na capital e na Baixada Fluminense. De acordo com o delegado Gabriel Ferrando, titular da Draco, “essa é uma vitória para as polícias e uma vitória contra a corrupção no país”.

— Isso vai possibilitar o retorno das investigações direcionadas a milícia com a utilização de relatórios de inteligência financeira que estavam paradas na Draco e que estavam prejudicadas.