Polícia conclui investigação e indicia professora por maus-tratos contra alunos em Canoas (RS)

A Polícia Civil concluiu a investigação sobre suspeitas de maus-tratos de uma professora contra alunos do jardim de infância, com idades entre 4 e 5 anos, no bairro Rio Branco Canoas, no Rio Grande do Sul. A docente foi demitida da escola por justa causa e foi indiciada por maus-tratos.

A sequência de arquivos de áudio com declarações agressivas foi captada pela emissora "RBS" e entregue à Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que iniciou uma investigação sobre o caso, que aconteceu no mês passado. Na ocasião, o advogado Robervan Andreolla, que representa a escola Anjos e Marmanjos, a autora das frases foi afastada do cargo logo que a história veio à tona e, alguns dias depois, foi efetuada a demissão dela por justa causa. A diretora também foi desligada do quadro de funcionários.

Segundo o delegado Pablo Rocha, que assumiu o caso, os áudios "são prova cabal de maus-tratos". Em depoimento, Elisangela de Souza Saldanha reconheceu sua voz nos áudios divulgados, admitiu ter agido errado. Ela disse ainda que não tinha noção da gravidade das coisas que falava.

— Desconhecer o poder das palavras mostra inaptidão para a função de professor — disse o delgado ao site gaúcho Zero Hora.

Rocha destacou ainda que crianças não tinham capacidade para interpretar figuras de linguagem e, por isso, entendiam como ameaças concretas as falas da professora. A investigação policial também não encontrou indícios de agressões físicas.

Declarações chamaram a atenção de autoridades

— A próxima vez que tu botar a mão em alguma coisa que for minha, vou te cortar a mão fora. Eu te juro. Toma água aqui. Agora. Não devia nem te dar água, deixar tua boca apimentada até não querer mais — diz a então professora num trecho da gravação. — Eu quero que tu cale a boca e que tu coma. Então tu come que eu preciso subir, querido. Isso aqui não é brincadeira.

Em dado momento, ela reclama de uma criança ter cuspido no recipiente em que bebia algo e diz que o faria engolir todo o conteúdo mesmo assim.

— Não mandei ele botar as mãos na minha massa. Sabe o que ele fez? Ele tomou um gole e cuspiu dentro. Vai tomar, vou fazer tomar tudo até a última gota e sentado no sol ainda.

Em outra situação, a ex-funcionária se refere a alguém como "nega nojenta":

— Eu vou mandar ela vim buscar. Eu tenho nojo daquela nega nojenta — afirma no áudio. — Eu tenho nojo dela, ela é debochada, nojenta, asquerosa, ela fica te olhando, te tirando. Vou fazer ela vim buscar a máscara dela.

Em relação à suspeita de injúria racial, não houve indiciamento. O delegado explicou que não foi localizada vítima da suposta injúria:

— Não se verifica o dolo, qual seja a vontade livre e consciente de injuriar, de ofender alguém de modo direto, mas sim uma conversa de conteúdo infeliz e reprovável entre duas educadoras. — concluiu o delegado.

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