Polícia conclui que não houve atentado à covereadora do PSOL em São Paulo

CAMILA MATTOSO E ROGÉRIO PAGNAN
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BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo concluiu que não houve um atentado a tiros à covereadora Carolina Iara, integrante de mandato coletivo do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), encarregado da investigação, também deve concluir que não houve ataque a outra covereadora do PSOL, Samara Sosthenes, que registrou boletim de ocorrência dias depois de Carolina Iara. Os relatórios de conclusão da investigação devem ser entregues ainda nesta semana. No caso de Iara, ela disse no final de janeiro que acreditava que sua casa, na região de Itaquera (zona leste da capital paulista), teria sido alvo de ao menos dois tiros durante a madrugada, quando ela se preparava para dormir. Ela prestou depoimento no DHPP e entregou à polícia imagens de câmeras de monitoramento que mostravam um carro branco, que teria sido usado pelos suspeitos. A investigação da polícia aponta, no entanto, que o barulho ouvido teria sido de fogos de artifício. Dois responsáveis foram identificados e confirmaram ter disparado fogos de artifício em frente à casa da covereadora. Dois furos que haviam sido indicados como possíveis marcas de tiros foram identificados como um buraco antigo e a marca de um prego martelado com força excessiva. O delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do DHPP, disse ao programa de José Luiz Datena que "dois bêbados", localizados por câmeras de segurança, teriam explodido os fogos de artifício. No caso de Samara, ela registrou boletim de ocorrência que dizia que um motociclista teria ido até a porta da casa em que ela estava e realizado um disparo de arma de fogo para o alto. Ela estava na residência no momento do disparo, mas não ouviu o barulho. A parlamentar tomou conhecimento do suposto atentado por uma testemunha que teria presenciado a cena, mas não anotou a placa da moto ou as características do suspeito (que usava máscara e capacete). A Polícia Civil conversou com vizinhos da codeputada, que disseram não ter ouvido barulho naquela madrugada. Além disso, esses vizinhos afirmaram que Samara não mora ali, apenas sua mãe, o que também faz com que a polícia acredite que é improvável que tenha acontecido ali um atentado. Por fim, os policiais dizem que Samara foi chamada mais de uma vez a prestar depoimento, mas não compareceu, o que tem dificultado na obtenção de mais detalhes sobre as investigações. Eles não conseguiram encontrar o vizinho citado por Samara. Em nota da assessoria de imprensa, a Bancada Feminista do PSOL, da qual Iara é membro, diz que "os fortes barulhos ouvidos na noite do ocorrido pelos vizinhos e pela mãe da Carolina nos levaram a requerer a apuração dos fatos para que fosse verificada a possibilidade de ameaça contra nossa covereadora e garantida a sua integridade física". "Caso a conclusão do inquérito seja confirmada, a Bancada Feminista do PSOL respira mais aliviada porque uma de suas integrantes não sofreu um ataque com arma de fogo. No entanto, consideramos que não deve ser naturalizado o fato de que bombas sejam jogadas em frente à casa de uma parlamentar. Não temos, ainda, informações que nos permitam afirmar que não houve uma intimidação", completa. "A proteção de sua vida é, para nós, uma prioridade. Hoje respiramos aliviadas, mas seguimos atentas e fortes", conclui. A assessoria de comunicação de Samara diz que não receberam "comunicação formal sobre o as conclusões da investigação. Sendo assim, acompanharemos no âmbito do inquérito os desdobramentos, com interesse de que o caso seja rigorosamente esclarecido, uma vez que ataques e ameaças à vereadoras eleitas tem sido a tônica de nosso país."