Polícia da Geórgia usa canhões de água e gás lacrimogêneo contra manifestantes

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Apoiadores da oposição georgiana participam de um comício no centro de Tbilisi em 8 de novembro de 2020
Apoiadores da oposição georgiana participam de um comício no centro de Tbilisi em 8 de novembro de 2020

A polícia da ex-república soviética da Geórgia usou canhões de água e gás lacrimogêneo neste domingo(08) em Tbilisi durante uma manifestação de milhares de oponentes que exigem novas eleições, acusando as autoridades de terem fraudado as anteriores em benefício do partido no poder. 

Imagens de televisão ao vivo mostraram a tropa de choque agindo contra os manifestantes sem aviso, depois que eles ameaçaram bloquear o prédio da comissão eleitoral central.

Mais cedo, cerca de 45.000 pessoas se reuniram em frente ao parlamento georgiano para denunciar a suposta fraude nas eleições de 31 de outubro, nas quais o partido Georgian Dream, do bilionário Bidzina Ivanishvili, venceu com pouco mais de 48% dos votos, superando em dois pontos a coalizão de opositores.

Ao cair da noite, os manifestantes marcharam vários quilômetros pela cidade até a sede da comissão eleitoral central. 

Formações antigovernamentais denunciaram fraudes e se recusam a entrar no parlamento, aumentando o temor de uma nova crise política neste país, onde as eleições são frequentemente agitadas e regularmente marcadas por grandes manifestações. 

O principal partido antigovernamental, o Movimento Nacional Unido (MNU) do ex-presidente Mijéil Saakashvili, havia alcançado uma aliança com todas as outras formações de oposição com a promessa de formar um governo de coalizão em caso de vitória.

-"Nova votação" -

"Exigimos a substituição da administração eleitoral totalmente desacreditada e a realização de uma nova votação", disse uma das líderes do MNU, Salomé Samadashvili, à AFP, acrescentando que "isso permitiria a manutenção da estabilidade no país" e que o "Georgian Dream não recebeu um mandato democrático para permanecer no poder." 

Ivanishvili, 64 anos, foi ex-primeiro-ministro e é homem mais rico da Geórgia, enquanto Saakashvili, 52, teve uma carreira política tempestuosa nos últimos anos. 

Saakashvili foi forçado ao exílio em 2013, após seu segundo mandato, por medo de ser preso sob a acusação de abuso de poder. 

O primeiro-ministro Gueorgui Gajaria garantiu que as eleições representam "outro marco importante no desenvolvimento democrático da Geórgia", criticando a oposição por organizar manifestações em massa em meio à epidemia de covid-19. 

Gajaria, que testou positivo para o coronavírus, está em quarentena há uma semana e anunciou toque de recolher noturno em várias cidades a partir de segunda-feira. 

Ambos os campos políticos são a favor da adesão à Aliança Atlântica, algo que a Rússia vê com maus olhos. Em agosto de 2008, essas tensões degeneraram em uma guerra entre a Geórgia e a Rússia. 

A Geórgia foi a derrotada neste conflito armado de cinco dias, após o qual o Kremlin reconheceu a independência de duas repúblicas separatistas, Ossétia do Sul e Abkházia, e enviou tropas para lá.

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