Polícia da Nicarágua detém jornalistas que cobriam operação em veículo de oposição

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(ARQUIVO)Foto tirada em 11 de janeiro de 2012. Cristiana Chamorro, líder da oposição, foi acusada pelo governo de envolvimento em lavagem de dinheiro, condição que pode afetar suas aspirações de participar das eleições presidenciais de novembro.

A polícia da Nicarágua invadiu nesta quinta-feira (20) os escritórios da publicação online Confidencial, crítica ao presidente de esquerda Daniel Ortega, e deteve temporariamente alguns jornalistas que cobriam os incidentes, incluindo um repórter de vídeo da AFP.

“Nossos escritórios estão cercados por tropas de choque. Exigimos respeito pela integridade física de nossos colegas. Exigimos a retirada da polícia”, denunciou Carlos Fernando Chamorro, diretor da Confidencial, por meio de suas redes sociais.

Carlos é filho da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997). Nesta mesma quinta-feira, sua irmã Cristiana, líder da oposição, foi acusada pelo governo de envolvimento em lavagem de dinheiro, condição que pode afetar suas aspirações de participar das eleições presidenciais de novembro.

Durante a operação, a polícia dispersou violentamente os jornalistas que cobriam a operação nos escritórios de ambas as mídias, localizadas no mesmo prédio da capital, Manágua.

“Eles serão presos”, disseram os agentes enquanto corriam atrás dos jornalistas, incluindo repórteres das agências AFP e EFE. O fotógrafo da AFP, Inti Ocón, conseguiu escapar dos agentes junto com outros de seus colegas. Eles ficaram escondidos por mais de uma hora.

O cinegrafista da AFP, Luis Sequeira, chegou a ser detido e solto vinte minutos depois. Ele disse que a polícia apagou de seu celular todos os vídeos que ele gravou sobre a operação.

“Minha veemente condenação pelo segundo ataque ilegal da ditadura contra o Esta Semana e a Confidencial. Ortega está fora de controle, o povo já o derrotou”, disse Cristiana Chamorro.

A primeira vez que o governo ordenou a busca nas dependências da Confidencial foi em 2018, quando ocupava outro prédio e equipamentos e meios de trabalho foram apreendidos. Neste ano, a Confidencial cobriu os protestos que exigiram a saída de Ortega e nos quais foram registradas mais de 300 mortes.

Na época, o governo justificou a ocupação de alguns meios de comunicação locais, acusando-os de violar a paz e os direitos humanos dos nicaraguenses. Dois anos depois entregou o antigo imóvel ocupado pela Confidencial ao Ministério da Saúde. Carlos Fernando Chamorro reabriu os escritórios em novo local no final de 2019, que foi invadido nesta quinta-feira.

“Eles não vão nos calar, podem roubar outras câmeras de televisão, outros acessórios, podem ocupar uma sala onde realizamos produções, mas vamos continuar a reportar, não vão calar nossos jornalistas”, escreveu Chamorro no Twitter.

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