Louisiana desiste de processo contra policiais acusados de matar homem negro

Washington, 27 mar (EFE).- Dois policiais brancos envolvidos na morte do afro-americano Alton Sterling em Baton Rouge, no estado da Loiusiana, um incidente gravado em vídeo que provocou protestos em várias cidades dos Estados Unidos, não serão julgados pelo caso.

"O Departamento de Justiça da Louisiana não pode avançar com a acusação", afirmou o procurador-geral do estado, Jeff Landry, em Baton Rouge, epicentro dos protestos contra o abuso do uso da força por parte dos policiais na morte de Sterling.

O promotor anunciou a decisão 11 meses depois de o Departamento de Justiça ter exonerado os agentes Blane Salamoni e Howie Lake. No entanto, não há provas suficientes para seguir com o processo.

"As provas disponíveis para os investigadores estaduais mostraram que os agentes não atuaram fora da margem da lei", disse Landry.

Sterling foi morto em 5 de julho de 2016, quando os agentes foram chamados para uma ocorrência de um homem negro que estava vendendo CDs piratas de música fora de uma loja e que tinha começado a fazer ameaças enquanto segurava uma pistola.

Os policiais chegaram ao estacionamento da loja onde estava Sterling e, depois de um confronto, ele levou vários tiros.

O incidente foi gravado por alguém com um telefone celular, e as imagens foram transmitidas durante meses pela imprensa.

O vídeo mostra que os dois agentes dominam Sterling no chão. Quando ele já estava completamente imobilizado, um dos policiais saca uma arma, coloca no pescoço do suspeito. A câmera se afasta da cena do crime e é possível ouvir tiros na sequência.

No fundo, é possível ouvir alguém gritar: "Tem uma arma!"

Horas depois dos disparos, as primeiras manifestações já foram registradas em Baton Rouge. Os protestos se multiplicaram pelos Estados Unidos porque a morte coincidiu com outro caso similar em Falcon Heights, no estado de Minnesota.

As duas mortes reabriram as discussões sobre a questão racial nos EUA e o problema da violência policial contra minorias. EFE