Polícia detém outro suspeito por desaparecimento na Amazônia

A Polícia Federal deteve nesta terça-feira (14) um homem sob suspeito de estar envolvido nos desaparecimentos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, cujos rastros foram perdidos há dez dias na Amazônia.

Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como 'Dos Santos', foi detido e estava sendo interrogado "por suspeita de participação no caso", informou a polícia em comunicado.

Ao término da interrogatório, o homem, de 41 anos, será levado a uma audiência de custódia perante a justiça de Atalaia do Norte, município amazônico que era o destino de Phillips e Pereira quando desapareceram.

A polícia também apreendeu alguns cartuchos de arma de fogo e um remo ao cumprir duas ordens judiciais de busca e apreensão, embora não tenha especificado se esses objetos foram encontrados no mesmo local onde 'Dos Santos' foi detido.

'Dos Santos' é o segundo suspeito apreendido pelas autoridades, após Amarildo da Costa de Oliveira, de 41 anos, conhecido como 'Pelado', ter sido detido na última terça-feira. Segundo o portal G1, os dois homens são irmãos.

Este pescador de 41 anos, cujo vínculo com o novo capturado ainda não foi esclarecido, foi visto por testemunhas em um barco seguindo em alta velocidade o bote em que viajavam Phillips e Pereira antes de seu desaparecimento.

Em meio às buscas, as autoridades encontraram vestígios de sangue em um barco de propriedade de 'Pelado', que nega estar envolvido, e pertences pessoais dos dois desaparecidos submersos perto de sua casa.

Phillips, de 57 anos, e Pereira, de 41, foram vistos pela última vez no domingo 5 de junho enquanto viajavam pela região do Vale do Javari, no extremo oeste do estado do Amazonas, na fronteira com Peru e Colômbia.

O jornalista, colaborador do diário britânico The Guardian e autor de dezenas de reportagens sobre a Amazônia, preparava um livro sobre conservação ambiental. Pereira o acompanhava como guia por esta região remota onde atuam traficantes de drogas, madeireiros e pescadores ilegais.

Os desaparecimentos provocaram uma onda de solidariedade internacional e incendiaram novas críticas contra o governo de Jair Bolsonaro, acusado de incentivar as invasões das terras indígenas e de sacrificar a preservação da Amazônia para sua exploração econômica.

O chefe da diplomacia americana para a América Latina e o Caribe, Brian Nichols, tuitou nesta terça-feira que o caso "sublinha a preocupante tendência de violência contra jornalistas e ativistas nas Américas".

raa/am

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