Polícia do DF deflagra operação contra tráfico de animais

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
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Policiais civis do Distrito Federal (DF) e agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cumpriram hoje (16) quatro mandados de busca e apreensão com o objetivo de recolher provas contra um grupo investigado por suposto envolvimento com crimes ambientais – incluindo possível tráfico de animais.

A ação faz parte da segunda fase da chamada Operação Snake, deflagrada após o estudante de veterinária Pedro Henrique Lehmkul, de 22 anos, ter sido picado por uma naja – espécie de cobra originária da Ásia, cujo veneno pode matar.

Embora o Brasil proíba a criação desses animais, Lehmkul mantinha uma naja de cerca de 1,5 metro em sua casa, no Guará II. Picado pela cobra no último dia 7, ele socorrido às pressas e passou quase uma semana internado em um hospital particular do Gama (região administrativa do Distrito Federal, a cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília), em coma induzido.

Nesta segunda-feira (13), o estudante recebeu alta médica. Seu tratamento exigiu que o Instituto Butantan remetesse de São Paulo para Brasília o soro antiofídico que tinha armazenado para o caso de um de seus pesquisadores que estudam a naja fosse picado.

Após o incidente, agentes do Batalhão da Polícia Militar Ambiental encontraram a naja dentro de uma caixa abandonada na região central de Brasília. O animal foi então entregue ao Ibama, que o repassou para o Zoológico de Brasília.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar como o animal foi trazido ao Brasil, onde era mantido ilegalmente. O estudante é aguardado para prestar depoimento. Os mandados de busca e apreensão cumpridos hoje tinham como alvo endereços ligados a Pedro Henrique e a amigos do jovem. O coronel da Polícia Militar Eduardo Condi, padrasto do estudante, é um dos alvos da investigação, suspeito de ter ajudado o enteado a ocultar provas.

Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal - Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

Outras descobertas

Dois dias após o caso do estudante vir a público, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental encontrou 16 serpentes escondidas em caixas encontradas em uma área rural de Planaltina, a cerca de 40 quilômetros (km) de Brasília. A própria corporação concluiu que os dois casos têm ligação.

Os policiais militares chegaram até o local graças a uma denúncia anônima. O dono da chácara onde as serpentes foram encontradas informou que não sabe como os animais foram parar ali.

Na sexta-feira (10), a Polícia Civil descobriu mais sete serpentes em uma chácara da região administrativa de Samambaia, no DF. A ação foi decorrente da Operação Squamata, que visou combater crimes contra a fauna e manutenção ilegal de répteis.

No sábado (11), a Polícia Civil apreendeu a segunda cobra pertencente a Pedro Henrique. Segundo a polícia, a jiboia arco-íris foi encontrada no apartamento de um suposto amigo de Pedro Henrique, também no Guará.

Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal
Cobra naja de 1,5 metro que picou um estudante de veterinária em Brasília e está no Zoológico da capital federal, por Ivan Mattos/Zoológico de Brasília