Polícia dispersa com gás lacrimogêneo centenas de indígenas em Quito

A polícia equatoriana dispersou com gás lacrimogêneo cerca de 500 indígenas que bloquearam uma importante avenida de Quito com galhos de árvores nesta terça-feira (21), no nono dia de protestos contra o governo.

Milhares de indígenas chegaram à capital do país na segunda-feira para exigir a redução dos preços dos combustíveis.

O grupo de cerca de 500 indígenas, que entrou em confronto com a polícia, deixou seu local de hospedagem na Universidade Salesiana e pretendia chegar à Casa da Cultura Equatoriana (CCE), que foi tomada pela polícia em meio ao estado de exceção estabelecido em seis das 24 províncias do país, incluindo Pichincha, cuja capital é Quito.

Para impedir o avanço, a tropa de choque disparou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que se dispersaram e pouco depois se reagruparam.

A CCE é tradicionalmente o local que acolhe os indígenas que protestam contra os governos do país.

"O objetivo de hoje é assumir a Casa da Cultura, nos abrigar lá", disse à AFP Wilson Mazabanda, um indígena kichwa-panzaleo que chegou no dia anterior de Cotopaxi (sul).

Segundo a Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), a principal do país, cerca de 5.000 manifestantes entraram pelo sul da capital equatoriana na segunda-feira. A Conaie foi fundamental nas revoltas que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005.

Centenas de outros manifestantes também entraram pelo norte da cidade.

"Já estamos cansados desse governo, o posto foi pesado" para o presidente Guillermo Lasso, disse Mazabanda, um estudante universitário.

Após o primeiro encontro com uniformizados, o grupo avançou pelo menos dois quarteirões, aproximando-se de seu destino. Lá, outro grupo de policiais alertou por meio de alto-falantes que deveriam protestar "em paz".

"Abaixem suas armas, somos povos de paz", exclamavam os indígenas do outro lado da rua, com escudos feitos de placas de trânsito e latas de lixo e pirotecnias artesanais.

O ministro da Defesa, Luis Lara, disse em coletiva de imprensa que "a democracia equatoriana está em sério risco devido à ação conjunta de pessoas exaltadas que impedem a livre circulação da maioria dos equatorianos".

Aos gritos de "fora, Lasso, fora", os manifestantes bloquearam várias estradas e acessos à Quito.

O Equador perde cerca de 50 milhões de dólares por dia com os protestos, sem levar em conta o setor petrolífero, principal produto de exportação, segundo dados oficiais.

A estatal Petroecuador registra uma perda acumulada de quase 64.300 mil barris da produção total. A perda acontece pois mais de 230 poços estão "desligados" devido às manifestações na região da Amazônia.

pld/lbc/ap

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