Polícia diz que morte de menino em CEU era evitável e aponta para homicídio culposo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte do menino Enrico Braga Souza, de 1 ano e 7 meses, em um campo de futebol no CEU (Centro Educacional Unificado) Meninos, no Sacomã, zona sul de São Paulo, na quarta-feira (31), é tratada pela Polícia Civil como uma fatalidade que poderia ter sido evitada.

O delegado Douglas Torres, do 95° DP (Heliópolis), responsável pela investigação, afirma já ter ouvido nove pessoas, entre professores, o corpo diretivo da escola e socorristas. Ele também já teve acesso a imagens e aguarda apenas receber laudos para concluir o inquérito. Os pais do menino também devem ser ouvidos em breve.

A investigação caminha para que duas professoras, responsáveis por 18 alunos, entre eles, Enrico, sejam indiciadas sob suspeita de homicídio culposo, ou seja, sem intenção.

"O professor tem o dever de guarda, de zelo, de tutela. Elas não quiseram que isso acontecesse, mas aconteceu, por um desleixo que poderia ser previsto. Ali foi falta de cuidado. O campo é gigante e não viram."

Segundo Torres, o acidente ocorreu quando duas turmas da creche foram fazer uma atividade extraclasse em um campo de futebol dentro do CEU, momento em que Enrico se enroscou na rede de uma das traves. "O menino passou a cabeça pela trama e se enforcou. Ele ficou com os pés no chão, mas a mão não alcançava o chão, ficou pendurado de lado. Ele não conseguiu voltar, ficar de pé", explicou.

Em pronunciamento no dia do acidente, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o CEU tem um brigadista capacitado em primeiros socorros que atendeu a criança antes de ela ser levada para a UBS (Unidade Básica de Saúde) Jardim Seckler. Na sequência, a criança foi levada à AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Sacomã, onde morreu após parada cardiorrespiratória.

Torres afirmou que, no momento da atividade na grama, havia cinco professores, contando as duas responsáveis pelos mais novos. Outras turmas também estavam no local.

"Eu tenho cinco professores que não perceberam que o menino estava desfalecido. Há quanto tempo? Quem achou o menino foi a professora de uma outra sala."

De acordo com o delegado, uma das professoras é experiente, com mais de 20 anos de magistério.

Procurada, a prefeitura não se pronunciou sobre as declarações do delegado até a publicação deste texto.