Polícia dos EUA tenta entender motivação do atirador de Los Angeles

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Memorial improvisado em 15 de novembro de 2019 nos arredores da escola Saugus em memória das vítimas do ataque a tiros da véspera

Escoteiro, introvertido embora sociável, adepto do uso de armas, sem ser um fanático por elas: os investigadores americanos tentavam entender nesta sexta-feira (15) o que levou um estudante do ensino médio de 16 anos, aparentemente sem problemas, a balear seus colegas, matando dois deles.

"Seguimos todas as pistas possíveis. Por enquanto, não conhecemos a motivação" do atirador, resumiu o xerife de Los Angeles, Alex Villanueva.

"Não estabelecemos ainda um motivo ou um vínculo entre o indivíduo e suas vítimas, além do fato de que todos frequentavam a mesma escola", a Saugus de Santa Clarita (Califórnia), disse, por sua vez, o capitão Kent Wegener.

O jovem, identificado como Nathaniel Berhow, deu um tiro na cabeça após ter atacado os colegas no dia de seu 16º aniversário. Ele faleceu nesta sexta-feira em virtude dos ferimentos, após ter sido hospitalizado sem chegar a ser interrogado, diferentemente de sua mãe e sua namorada.

"Ele morreu às 15h32" (hora local) desta sexta-feira, informou à AFP Marvin Crowder, do escritório do xerife do condado de Los Angeles.

Nada indica que tenha tido motivações ideológicas ou agido a serviço de alguma organização. Tampouco parece ser um marginal, nem ter sido vítima de assédio na escola, comentou Villanueva.

"Tinha amigos, gente que passava para pegá-lo ou levá-lo para casa" e "eu o via fazer muitas atividades esportivas", declarou ao jornal Los Angeles Times um vizinho do adolescente em Santa Clarita, Jared Axen, de 33 anos.

"Não era do tipo de iniciar uma conversa. A gente tinha que fazê-lo. Era tranquilo, reservado, mas ser introvertido não é tão estranho", acrescentou.

Aidan Soto, aluno da escola Saugus, nunca suspeitaria que seu colega, muito ativo entre os escoteiros, pudesse cometer um crime como esse.

"Era um rapaz gentil (...) Os escoteiros mais jovens realmente o admiravam. Ele ficava ao lado dele quando precisavam. Estou perdido, tentando entender".

- Um conhecedor de armas -

O atirador não tinha antecedentes de violência, mas seu pai, divorciado da mãe há alguns anos, tinha problemas com álcool e um momento foi suspeito de violência doméstica, mas nunca foi processado por falta de provas.

Isso não impediu que Nathaniel Berhow ficasse perto do pai, enfatiza Jared Axen, que lembra que o adolescente ficou muito abalado com a morte repentina do pai de uma parada cardíaca em dezembro de 2017.

"Ele me disse que sentia falta do pai e o amava", comentou o vizinho.

O pai do jovem foi descrito como um entusiasta da pesca e da caça e os vizinhos lembram tê-lo visto fazer preparativos para estas atividades em sua garagem, inclusive com a fabricação de munições para a caça de alces, segundo o LA Times.

Este conhecimento em armas de fogo é atualmente o principal vínculo entre o perfil do suspeito e o homicídio de quinta-feira.

Segundo Jared Axen, o jovem às vezes acompanhava o pai em caçadas. Villanueva disse que foram encontradas armas de fogo na casa da família após a tragédia.

Ainda não está claro como Nathaniel Berhow conseguiu a pistola calibre 45 que usou, reservando a última bala para se suicidar, mas as imagens da CCTV dos assassinatos sugerem que o adolescente sabia como manusear esta arma, disse o xerife.

O ataque durou no total 16 segundos.

As imagens não permitem concluir se as vítimas foram escolhidas ou se o atirador abriu fogo ao acaso.

Duas delas, uma jovem de 15 anos e um menino de 14, morreram em decorrência dos ferimentos. Um terceiro adolescente recebeu alta na manhã desta sexta e outras duas alunas, que precisaram ser operadas, poderão deixar o hospital em alguns dias, segundo os médicos.