Polícia entra em imóvel do podcast A Mulher da Casa Abandonada e encontra Margarida Bonetti

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo realiza na tarde desta quarta-feira (20) uma operação para cumprir um mandado de busca e apreensão na residência retratada pelo podcast A Mulher da Casa Abandonada.

A ação faz parte de um inquérito que investiga um possível abandono de incapaz tendo como vítima Margarida Bonetti, moradora do local e protagonista da série do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com os policiais, a mulher se recusou a abrir a porta do imóvel e, por isso, eles arrombaram uma janela para conseguir entrar. Já lá dentro, ela ofereceu resistência física e tentou agredir os agentes.

Vizinhos tinham afirmado mais cedo que ela não estava no local.

Policiais descreveram o interior da casa como insalubre e afirmaram que o local está cheio de lixo, restos de comida e com cheiro forte de coisas estragadas. Eles encontraram um cachorro embaixo de um móvel e o retiraram do local.

A apresentadora Luiza Mell, defensora do direito dos animais, também estava presente e participou do resgate de cachorro. Segundo ela, a mulher também tentou agredir um ativista que a acompanhava.

Os policiais afirmam que operação tem como objetivo proteger Margarida e que a presença dela dentro da casa, nas condições de higiene encontradas durante a operação, apresentavam riscos.

Mesmo assim, os agentes afirmaram que ela quer permanecer no imóvel e que, nesse momento, não há nenhuma ação que a polícia possa fazer para retirá-la do local.

Helena Monaco, advogada de Margarida, disse que não há nenhum caso de abandono de incapaz. Prova disso, segunda ela, é que sua cliente mora no local há 20 anos.

De qualquer forma, afirmou Margarida está avaliando a possibilidade de deixar a casa e ir morar com algum familiar.

Por volta de 19h55, a mulher chegou saiu do interior da casa com algumas pessoas. Isso chamou a atenção da multidão que está em frente a casa. Mais de uma dezena de pessoas ignorou o cordão de isolamento da polícia para subir no muro do imóvel.

Com isso, ela voltou para o imóvel. Cada vez que aparece um vulto no vidro da porta, alguém grita: "ela vai sair". Não há policiamento do lado de fora do imóvel e um rumor de que ela estaria na lateral da casa fez a multidão correr desesperada.

A concessionária de energia Enel afirmou que não há contas de luz pendentes. A companhia disse que vai verificar sobre a validade dos registros e da medição.

Mais de cem pessoas se aglomeram na frente da casa durante a operação. Algumas pessoas gritam xingamentos contra Margarida.

A investigação policial teve início depois que vizinhos do imóvel em Higienópolis (no centro de São Paulo) ligaram para diversas delegacias afirmando que uma pessoa que apresentava problemas de saúde mental estava no local e precisava de ajuda.

O procedimento foi aberto no início de julho, depois que os primeiros episódios do podcast já tinham sido publicados.

O delegado Marcelo Palhares, do 4º DP (Consolação), afirmou que a polícia quer saber "se as condições de habitar a casa são dignas". Segundo ele, familiares de Margarida podem ser responsabilizados por abandono de incapaz.

Segundo o podcast, Margarida é suspeita de ter mantido por quase 20 anos nos Estados Unidos uma empregada doméstica em condição análoga à escravidão. Quando o caso ainda estava sendo investigado por autoridades americanas, no final dos anos 1990, ela deixou o país, retornou ao Brasil e passou a morar na casa de sua família em Higienópolis.

O imóvel se encontra em condições de deterioração, com telhas quebradas, rachaduras e pintura corroída pelo tempo.

Na frente da casa, o jardim também se encontra em condições de abandono, e há casas de cachorro vazias na varanda. Margarida ficou conhecida na região por usar um creme branco no rosto sempre que deixa a casa.

O imóvel atualmente é alvo de uma disputa na Justiça entre os herdeiros, incluindo Margarida.

No último episódio da série, publicado nesta quarta, ela se defende da acusação de ter mantido a empregada em condições análogas a escravidão: diz que elas dividiam a casa na condição de amigas e também afirma que passava a maior parte do ano no Brasil, distante tanto de seu marido como da mulher.

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