Polícia equatoriana requisita centro cultural para monitorar protestos indígenas

A polícia do Equador anunciou no domingo que requisitou a sede da Casa da Cultura em Quito para transformá-la em uma base para seus funcionários, com o objetivo de monitorar os protestos organizados há uma semana por indígenas contra o governo.

"A Polícia Nacional notificou a requisição do local, com base no estado de exceção", afirmou a instituição em um comunicado.

O presidente Guillermo Lasso declarou estado de exceção na sexta-feira nas províncias andinas de Pichincha (que tem Quito como capital), Cotopaxi e Imbabura, onde acontecem a maior parte das manifestações.

A opositora Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), que participou em protestos que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005, convocou os protestos para exigir a redução preços dos combustíveis.

A requisição do imóvel - que tem salas de teatro e cinema, um museu e uma biblioteca - aconteceu na véspera da anunciada entrada dos indígenas na capital, onde vigora um toque de recolher noturno de sete horas.

A sede da Casa da Cultura Equatoriana (CEE) abrigou milhares de indígenas em outubro de 2019, durante os violentos protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis que deixaram 11 mortos e mais de 1.000 feridos.

Durante as manifestações, jornalistas e policiais foram retidos temporariamente no local.

A CEE informou que "a Polícia Nacional e militares entraram" nas suas instalações e que "centenas de elementos armados cercaram" a sede.

Dezenas de artistas, gestores culturais e funcionários da entidade protestaram contra a decisão da polícia.

Mais cedo, o Ministério Público realizou uma operação na CEE após uma denúncia de "suposta existência de material explosivo".

Depois de uma inspeção, o MP informou no Twitter que "nenhuma evidência foi encontrada e não foram registradas detenções".

O presidente da CCE, Fernando Cerón, respondeu na mesma rede social: "Esta noite morreu a alegria, a @CasadelaCultura caiu nas mãos do terror policial, vivemos na ditadura”.

A polícia informou que funcionários da Unidade de Manutenção da Ordem serão deslocados ao local, para "fazer seu trabalho nas ruas próximas" e garantir a segurança cidadã "diante das ameaças de grupos sociais que usam a violência como forma de protesto".

As manifestações indígenas, que começaram há sete dias no país, deixaram 61 agentes feridos e 14 detidos temporariamente, segundo a polícia.

Organizações indígenas anunciaram um balanço de 48 feridos e 75 detidos.

De modo paralelo aos protestos indígenas, que incluíram bloqueios de estradas em mais da metade das 24 províncias, foram organizadas manifestações de estudantes e trabalhadores que terminaram em confrontos com a polícia.

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