Polícia faz nova operação na cracolândia no centro de São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil deflagrou nova operação na cracolândia, no centro de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (2). Os policiais tentam acabar com a aglomeração de usuários de drogas e traficantes na esquina da rua Helvétia com a avenida São João.

A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana também participam da operação, coordenada pela 1ª Delegacia Seccional (Centro).

Após a chegada da corporação, por volta das 16h30, os frequentadores correram em direção às outras vias, como a Barão de Campinas e a própria avenida São João.

Até às 18h30, dependentes químicos que estavam no fluxo passavam por revista. Após a triagem, eles eram liberados para seguirem pela avenida São João. Na semana passada, quando aconteceu uma ação semelhante no local, os usuários foram para o outro sentido, na Rua Barão de Campinas.

A Polícia Civil afirmou que até o momento uma pessoa, que era procurada pela Justiça, foi presa. Foram apreendidos uma arma falsa, notas de dinheiro e uma pequena quantidade de drogas —a corporação ainda está analisando qual era exatamente o entorpecente.

Desde a megaoperação que retirou dependentes químicos da praça Princesa Isabel, no último dia 11, os policiais tentam dispersar o fluxo, como é chamada a concentração de usuários.

Após deixarem a praça Princesa Isabel, o fluxo chegou a se concentrar na rua Doutor Frederico Steidel, no outro lado da avenida São João, mas firmou presença na própria Helvétia.

Na madrugada desta quinta houve tumulto e quebra-quebra na região. Os frequentadores jogaram pedras e objetos em carros que passavam pelas avenidas Duque de Caxias e São João, quebraram vidros, chutaram portas de lojas e colocaram fogo em sacos de lixo espalhados pelas ruas.

"Quebra tudo", gritou um deles em vídeo gravado por um morador da região.

Nas redes sociais, moradores de prédios da região postaram imagens e relataram a confusão. Em um dos vídeos, uma moradora chega a rezar pedindo que os dependentes químicos não quebrem nada.

Segundo um morador da rua Helvétia, a movimentação começou por volta das 23h30, quando uma suposta liderança do grupo determinou que todos saíssem do novo fluxo da cracolândia. "Vamo bora", disse o homem.

Em poucos minutos todos obedeceram e seguiram em direção à avenida São João, no início sem gritaria e confusão.

À reportagem, o inspetor Aparecido Pedroso informou que o distúrbio ocorrido durante a madrugada na região reforçou a ação desta quinta.

No entanto, a Polícia Civil negou que o quebra-quebra tenha influenciado a nova investida. Segundo o delegado Severino Vasconcelos, titular do 77º DP, a incursão, que faz parte da Operação Caronte, já estava prevista —a tendência é que ações semelhantes se repitam toda semana, em uma tentativa de dificultar o tráfico na região.

Segundo a polícia, no momento da chegada das equipes, entre 250 e 300 pessoas estavam no fluxo, quantidade inferior ao registrado em outras operações

Segundo Roberto Monteiro, da 1ª Delegacia Seccional do Centro, os distúrbios que aconteceram na madrugada foram causados pela falta de droga na cracolândia.

"Não tem droga. Sufocamos o tráfico nos últimos 10 meses. Eles perderam a territorialidade que era na Júlio Prestes [antigo local da cracolândia] e, depois, na Princesa Isabel. Perderam a hierarquia, os disciplinas que faziam a segurança. Os travessias [que levavam as drogas] não existem mais".

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse em entrevista nesta quinta que a cidade, em conjunto com o governo do estado, enfrenta uma "guerra contra o crack".

"Com relação ao movimento que teve a noite, temos que entender que há um crime organizado por trás disso, orquestrando uma situação de desordem. A população de São Paulo precisa entender que estamos em um enfrentamento. Estamos em uma guerra contra o ​crack", disse Nunes.

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