Polícia faz operação contra comércio de fios de cobre furtados na cracolândia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação da Polícia Civil fiscalizou nesta quarta-feira (27) dez estabelecimentos de ferro-velho acusados de receber fios de eletricidade furtados no centro de São Paulo. A ofensiva está relacionada a ações para controlar a cracolândia na região.

De acordo com o chefe dos investigadores da 1ª Delegacia Seccional do Centro, Luiz Carlos Zaparoli, o comércio clandestino de fios de cobre no centro "está impedindo a conclusão da nossa operação" —uma referência à operação Caronte, iniciada em março do ano passado para prender traficantes que atuam na concentração de usuários de drogas.

"O que segura os usuários na região central são os ferros-velhos que compram material roubado", disse Zaparolli, sobre a retirada da fiação pública.

​Segundo as investigações, um grupo criminoso apelidado de "família do cobre" reúne receptadores de fios do material roubados ou furtados por dependentes químicos em troca de pedras de crack.

O policial afirma que, atualmente, há cerca de 300 usuários de drogas que se aglomeram pela região central. "É importante essa operação para convencer essas pessoas a buscar tratamento e sair das ruas", disse o policial.

Os primeiros alvos da operação foram dois galpões na rua dos Protestantes, uma das vias da Santa Ifigênia onde costuma haver aglomeração de usuários de drogas. Nos dois locais, policiais civis entraram em contêineres em busca dos fios de cobre.

Em um dos endereços, foram encontrados três retificadores de sinal de celular, aparelhos que ficam embaixo de bueiros, perto de antenas, e têm a função de replicar o sinal das operadoras. De acordo com a Polícia Civil, cada equipamento custa cerca de R$ 1.000 e, após ser furtado, é vendido a ferros-velhos pelo peso, a R$ 0,60 o quilo. Cada peça tem cerca de dez quilos.

A dona do ferro-velho onde os aparelhos foram encontrados nega que tenha recebido material originado de crime e diz que se trata de sucata de uma empresa próxima. "Tem muito lojista que vende para a gente. Já aconteceu isso [de a polícia encontrar aparelhos de sinal], vão para delegacia e não encontram dono", disse Silviane Santos, 30.

Ela afirma estar há 12 anos no ponto de reciclagem na rua dos Protestantes e diz não aceitar nenhuma peça que pertença a concessionárias, como tampas de bueiro.

Dos dez endereços fiscalizados, um foi interditado pela prefeitura por falta de segurança. Em outro foram encontrados um simulacro de arma e conexões clandestinas de água e de luz. Até o momento nenhum item comprovadamente furtado foi localizado pelos policiais.

Segundo o policial Zaparoli, a operação nos ferros-velhos faz parte da sexta e última fase da operação Caronte, prevista para ser encerrada até o fim do ano.

CRACOLÂNDIA ESPALHADA

Desde a dispersão da cracolândia na praça Princesa Isabel, há cerca de três meses, foram mapeados ao menos 16 pontos ocupados por usuários de drogas na região central, segundo levantamento do LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade, ligado à USP).

A maior parte está na Santa Ifigênia, tradicional região de comércio de eletrônicos. Antes, a cracolândia ocupou parte da rua Helvétia, na esquina com a avenida São João, e a rua Doutor Frederico Steidel, na mesma altura da avenida.

Na madrugada do último dia 6, lojas foram saqueadas e houve quebra-quebra nas ruas dos Gusmões e Guaianases. Grupos de comerciantes expulsaram os usuários a pauladas da região, como mostrou vídeo divulgado nas redes sociais.

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