Polícia faz operação para prender traficantes em pontos turísticos da Lapa

A Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) e o Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (BPTur) fazem, na tarde desta sexta-feira, dia 3, uma operação para prender traficantes que atuam no entorno dos Arcos da Lapa e da Escadaria Selarón, no coração do Rio. A Operação Colmeia terá 60 agentes das duas unidades nas ruas para cumprir 11 mandados de prisão temporária, um mandado de apreensão e dois de busca e apreensão. Até as 17h20, quatro pessoas com mandados já haviam sido presas.

Durante as investigações, que começaram há quatro meses, os policiais da Deat e do BPTur identificaram que a organização criminosa que atua no Morro dos Prazeres criou um ponto de venda de drogas na área. A abordagem dos traficantes aos clientes é feita na Rua Joaquim Silva, a poucos metros dos Arcos. Atualmente, a região é patrulhada por agentes do BPTur e do Segurança Presente. A Escadaria Selarón fica a cerca de 500 metros da Secretaria estadual de Polícia Militar.

Para despistar os policiais, os traficantes alugaram os casarões, que passaram a ser usados como bocas de fumo. As drogas eram armazenadas no telhado das casas.

— A Lapa é um local cultural e clássico da cidade. Hoje é um ponto muito visitado por turistas e moradores pelas atrações culturais. Mas temos essa prática criminosa, que incide em outros crimes. Os traficantes se utilizam de casas abandonadas, que não têm uma ocupação regular, para se esconder e praticar esses crimes na região — explica o tenente-coronel Robson Cardel, comandante do BPTur.

Os mandados foram expedidos pela juíza Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto, da 40ª Vara Criminal. Os agentes descobriram que a droga é passada atrás de um cano PVC para o comprador.

—Essa quadrilha funciona de maneira disfarçada abordando turísticas, para não chamar a atenção. Já que a Lapa atrai muitas pessoas, por ser uma região turística, que tem casas de shows e bares, eles usam desse artifício para vender drogas — conta a delegada Patrícia Alemany, titular da Deat, que completa: — A escadaria é o terceiro ponto turístico mais visitado do Rio de Janeiro. Tem muita gente o tempo inteiro. Os traficantes ficam ali, é um comércio velado. Eles abordam as pessoas nas ruas, pegam o dinheiro, e vão até às casas. Através de portões e de um cano, pegam as drogas e repassam.

Imagens feitas durante a investigação revelaram que os traficantes usavam a tubulação de uma das casas para entregar as drogas. Depois, o dinheiro da venda era colocado em bolsas plásticas que eram içadas para o segundo andar dos sobrados.

A investigação começou em janeiro, quando se constatou a atuação dos criminosos próximo à Escadaria Selarón. Os dois locais de distribuição das drogas ficam nos números 117 e 125 da Rua Joaquim Silva, na Lapa.

Os investigadores atribuem o ponto à maior facção criminosa que atua no local. A quadrilha é conhecida como "Tropa do mel" — por isso o nome da operação. De acordo com informações no inquérito, os bandidos atuavam havia anos com essa dinâmica.

Um dos casarões de onde a droga era distribuída tinha uma placa na fachada onde lê-se "comida caseira". Na porta do sobrado, os policiais constataram que circulavam os "vapores" — como são conhecidos os "varejistas" do tráfico.

A investigação concluiu que esses “vapores" organizavam uma fila de dependentes químicos e se comunicavam com outro traficante, que seria chefe deles. Este bandido controlaria a droga e liberava o produto aos poucos, do terraço da casa.

Se houvesse qualquer pessoa estranha da qual os criminosos desconfiassem passando, esse criminoso da venda no local corria para trancar a porta do casarão.

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