Polícia faz perícia para saber de onde partiu tiro que matou criança no réveillon

Policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) realizam, nesta quarta-feira, uma perícia na casa onde o menino Juan Davi de Souza Faria, de 11 anos, foi atingido por uma bala perdida quando comemorava o réveillon, na altura do Campo do União, próximo à comunidade da Chatuba, em Mesquita. O exame acontece quatro dias depois do crime. Os peritos tentarão descobrir o trajeto feito pelo projétil para saber de onde teria partido o tiro que tirou a vida da criança.

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Os policiais também farão uma espécie de varredura na varanda da residência, onde o garoto estava quando foi baleado, para saber se a bala que matou a criança ficou alojada em algum ponto, após atravessar o corpo de Juan. Na última segunda-feira, a Polícia Civil chegou a divulgar uma nota informando que a perícia não havia sido feita no dia que o fato ocorreu porque o local do crime já havia sido desfeito.

Descrito por parentes como um menino alegre que adorava olhar para o céu e sonhava em ser astrônomo, Juan Davi foi atingido por um tiro na cabeça após subir em uma cadeira, na varanda da sua casa, para contemplar o espetáculo provocado pela queima de fogos nos primeiros minutos do dia 1° de janeiro. Ele foi levado com vida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Edson Passos, em Mesquita, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Primo de Juan, Luís Felipe estava na casa no momento em que a criança foi baleada. Ele disse, durante o sepultamento da criança, na última segunda-feira, que chegou a pensar que Juan havia se cortado com uma garrafa de espumante.

— A gente não escutou o disparo. Foi como se um vidro tivesse quebrado. A gente até pensou que uma garrafa de espumante tivesse estourado e que ele havia se cortado. Quando olhei, vi a garrafa inteira e o menino no chão praticamente sem vida, todo ensanguentado. Naquele momento, nós deduzimos que tinha sido um disparo. Todo ano a gente ficava ali na varanda vendo a queima de fogos. Agora não existem mais Natal nem ano novo para gente — lamentou Luís Felipe, que tratava Juan como se fosse filho.

Juan Davi foi sepultado no Cemitério de Olinda, em Nilópolis. Alguns parentes e amigos que acompanharam o sepultamento usaram uma camisa com a foto do menino, em que ele aparece com asas de anjo, para homenageá-lo. Na parte de trás, a blusa tinha a inscrição: "O amor será infinito. Tudo o que imaginei viver com você estará guardado no meu coração. Sei que agora está olhando pra gente aí de cima. Luto, meu anjinho Juan". Ao enterrar o filho, na segunda-feira, Beatriz desabafou:

— Meu Deus, me ajuda Senhor. Não quero ir embora. Quero ficar com meu filho.

Ela saiu do cemitério amparada por parentes e amigos. Juan estudava em uma escola pública do município de Mesquita, e segundo parentes, iria cursar este ano o 6º ano do ensino fundamental.