Polícia faz reconstituição da morte de ambientalista na represa Billings, em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil e o Instituto de Criminalística iniciaram na tarde desta terça-feira (6) a reconstituição da morte do ambientalista Adolfo Souza Duarte, 41, conhecido como Ferrugem. O Corpo de Bombeiros acompanhava os trabalhos.

Ferrugem morreu no dia 1° de agosto na represa Billings, na zona sul de São Paulo.

Laudo do IML (Instituto Médico-Legal) apontou que ele foi vítima de asfixia mecânica, sem sinal de afogamento. Há a possibilidade, ainda segundo o laudo, de que tenha sido aplicada uma gravata nele, conforme lesões observadas no pescoço e no tórax.

No dia do crime, Ferrugem estava acompanhado de quatro jovens, que mantêm a versão de que o ambientalista caiu da embarcação após um solavanco. Eles negam que tenha havido alguma briga.

Vithorio Alax Silva Santos e Mauricius da Silva, ambos de 23 anos, e Katielle Souza Santos, 28, e Mikaelly da Silva Souza Moreno, 19, estão presos temporariamente.

O quarteto chegou à represa por volta das 15h15.

A delegada e peritos optaram por ouvir os quatro individualmente. Enquanto um dava a sua versão, ainda às margens da Billings, os outros três aguardavam dentro do carro policial.

Mikaelly foi a primeira pessoa a conversar com os policiais. Na sequência foram ouvidos Katielle, Mauricius e Vithorio.

A reconstituição teve início por volta das 17h30.

Primeiro a ser chamado, Vithorio entrou no barco com os policiais e eles navegaram pela Billings em percurso semelhante ao realizado na noite da morte de Ferrugem.

Ele permaneceu por cerca de uma hora na represa. O trajeto realizado também leva em consideração o GPS presente no barco.

O horário da reconstituição, que teve início ainda com o dia claro, foi motivo de queixa do advogado André Nino, que defende os dois homens. Para ele, os jovens deveriam entrar na represa no horário da ocorrência, próximo das 20h.

"Eles falam que estava escuro. Se fizerem fora do horário, não tem lógica", disse para a reportagem.

André Nino foi impedido pela delegada de acompanhar a reconstituição dentro da embarcação. Ele disse ter sido informado de que não haveria espaço no barco, já que até mesmo policiais que participam da investigação teriam que acompanhar o ato da margem.

Mesmo com queixas, o advogado se mostrou favorável à reconstituição. "É bom para a defesa e bom para a dinâmica da investigação", disse.

O temor da polícia de que curiosos pudessem atrapalhar a simulação ou até mesmo tentar agredir o quarteto não se concretizou. Foram poucas pessoas que se arriscaram a enfrentar o frio na casa dos 15°C para acompanhar os trabalhos.