Polícia Federal abre inquérito para investigar crime de genocídio contra ianomâmis

A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira um inquérito para investigar se houve crime de genocídio, omissão de socorro e desvio de recursos na crise humanitária do povo Ianomâmi.

A investigação foi instaurada a pedido do ministro da Justiça, Flávio Dino, que declarou na segunda-feira que há "indícios fortíssimos" de crime de genocídio contra a comunidade indígena. A apuração será conduzida pela superintendência da PF em Roraima, onde se localiza a maior parte da reserva indígena Ianomâmi.

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Após regressar de uma viagem a Roraima no fim de semana, Dino enviou um ofício pedindo a investigação ao delegado-geral da PF, Andrei Rodrigues. Na ocasião, o ministro disse que os alvos do inquérito devem ser "ex-ministros e ex-presidentes de órgãos, como Funai, ex-dirigentes da Saúde Indígena e agentes públicos de alto escalão que estimularam o garimpo ilegal na Amazônia".

O ministro também lembrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi a Roraima, em outubro de 2021, visitar um local de garimpo irregular.

"Mortes por desnutrição ou por doenças tratáveis, pouco ou nenhum acesso aos serviços de saúde, medidas insuficientes para a proteção dos ianomâmis, além do desvio na compra de medicamentos e de vacinas destinadas a proteção desse povo contra a Covid-19, conduzem a um cenário de possível desmonte intencional contra os indígenas ou genocídio", diz o ofício remetido à Polícia Federal.

Paralelamente a investigação, a PF de Roraima também planeja uma megaoperação para expulsar os garimpeiros ilegais da terra indígena. Lideranças do povo ianomâmi atribuem ao garimpo ilegal e à falta de serviços médicos a epidemia de desnutrição e doenças que acometeram a comunidade.

Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional no Território Yanomami. No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi até Roraima com a comitiva de ministros para acompanhar a situação.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, pelo menos 570 crianças morreram no local nos últimos quatro anos por causas evitáveis. Equipes da Força Nacional do SUS foram enviadas ao local para atender os indígenas emergencialmente.