Polícia Federal devolve aliança usada por Dom Phillips para a viúva do jornalista inglês, no Rio

Alessandra Sampaio, que era casada com Dom Phillips, recebeu a aliança usada pelo jornalista inglês assassinado no Vale do Javari quando participava de uma expedição com o indigenista Bruno Pereira. O anel foi entregue por agentes da Polícia Federal (PF) aos irmãos de da viúva, Marcus e Luciana, nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro.

Logo que chegaram do aeroporto, Marcus e Luciana entregaram a aliança encontrada com Dom para Alessandra. Ela tirou do plástico, segurou na palma da mão e pediu para que o anel fosse fotografado e a imagem compartilhada.

Os restos mortais do jornalista inglês e do indigenista Bruno Pereira foram entregues às famílias nesta quinta-feira. A liberação ocorreu após os exames de DNA terem sido concluídos e confirmarem que os materiais biológicos encontrados na cena do crime eram de Phillips e Pereira.

Phillips será velado na cidade de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, neste domingo.

Investigação

A Polícia Federal (PF) informou no domingo que subiu para oito o número de suspeitos de envolvimento com as mortes — três deles já foram presos durante as investigações sobre o caso. De acordo com a polícia, mais cinco homens que ajudaram a ocultar os corpos de Bruno e Dom na mata foram identificados. A polícia, porém, não informou os nomes.

Nesta quinta-feira, um homem de 26 anos se entregou à Polícia de São Paulo dizendo ter participado do assassinato. Gabriel Pereira Dantas apresentou-se no 77º Distrito Policial da capital. Ele não constava na lista inicial de suspeitos.

Segundo Dantas, no dia do assassinato ele estava bebendo com Amarildo Oliveira, conhecido como Pelado, um dos acusados do duplo homicídio, quando o homem o convidou para pilotar sua canoa. Segundo Dantas, ele não sabia o que Pelado iria fazer.

Dantas declarou à polícia que ambos estavam num barco do tipo “rabeta”, com motor de menor potência, quando avistaram a “voadeira” das vítimas, embarcação mais rápida. Ao se aproximarem dos “turistas”, Pelado já tirou a espingarda 16 e apontou para os dois. Pelado teria atirado primeiro no “magrinho”, o jornalista Dom, e depois efetuado outro disparo, em Bruno.

Ainda de acordo com o depoimento de Dantas, o crime ocorreu no rio Madeira, próximo à comunidade de Santa Isabel. Depois dos disparos, diz, eles rebocaram o barco das vítimas e Pelado cobriu os dois homens para não chamar atenção. Por fim, chamou outros dois ribeirinhos para ajudá-los. Segundo Dantas, ele não conhece esses homens, mas um seria parente de Pelado.

Dantas informou que “foram entrando nos caminhos de água com o barco rebocado, até pararem num lugar mais escondido”. Ele teria ajudado a retirar os corpos do barco e a esconder os pertences das vítimas, enquanto os outros ficaram responsáveis por ocultar os cadáveres e o barco.

Dantas é natural de Manaus e vivia em Atalaia do Norte, na região do Vale do Javari, para se esconder de uma organização criminosa, que o jurou de morte por dívidas de drogas. Depois do crime, segundo ele, fugiu para Santarém, foi de ônibus até Manaus, depois para Rondonópolis e São Paulo. Ele afirmou ter se entregado à polícia porque “não aguentava mais a situação, o sentimento de culpa e o peso nas costas”, uma vez que tem filhos pequenos.

As circunstâncias em que o suspeito se entregou e as informações de que ele se refugiava de uma facção criminosa rival de outro grupo do crime organizado com atuação no Amazonas e em São Paulo provocaram a desconfiança de pessoas que participam as investigação em Atalaia do Norte (AM), que não tinham informações sobre a participação deste novo preso.

De acordo com investigadores, os fatos foram informados à Polícia Federal (PF), que está a caminho o DP.

Três suspeitos já confessaram participação no crime: Dantas, Pelado e Jefferson da Silva Lima (o Pelado da Dinha). No domingo, a Polícia Federal informou que subiu para oito o número de suspeitos de envolvimento com as mortes. De acordo com a polícia, mais cinco homens que ajudaram a ocultar os corpos de Bruno e Dom na mata foram identificados. A polícia, porém, não informou os nomes. De acordo com os investigadores, elas auxiliaram na ocultação dos cadávares.

A Polícia Federal já concluiu que os homens agiram por motivação própria e que, portanto, o crime não teve um mandante. Indígenas contestam.

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