Polícia Federal investiga aplicação irregular de vacinas em Belo Horizonte

O Globo
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BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) realiza nesta sexta-feira uma operação para investigar a suposta importação e administração irregular de vacinas contra a Covid-19. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte.

O caso foi revelado na quarta-feira em uma reportagem da revista Piauí. De acordo com a revista, um grupo de políticos e empresários, além de seus familiares, tomou uma dose da vacina da Pfizer, que teria sido comprada sem ser repassada para o Sistema Único de Saúde (SUS), como determina a legislação. Cada pessoa teria pagado R$ 600 para receber duas doses.

Segundo a Piauí, as pessoas que foram vacinadas afirmaram que os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur, organizaram a imunização do grupo. Uma garagem de uma empresa do grupo teria sido improvisada como posto de vacinação. Em nota, a Saritur informou que os irmão Lessa não fazem parte do seu corpo societário e que a direção da empresa desconhece a ocorrência de vacinação em uma garagem.

Já a Pfizer nega qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a Covid-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização (PNI). Segundo a empresa, o imunizante ainda não está disponível em território brasileiro.

Na quinta-feira, o jornal O Estado de S. Paulo publicou vídeos que seriam da vacinação na garagem da empresa. Segundo o jornal, as imagens foram gravadas por vizinhos do local, que denunciaram o esquema clandestino. O vai e vem ocorreu após as 20h, quando já estava em vigor o toque de recolher determinado pela prefeitura.

No começo de março, o Congresso aprovou uma lei que autoriza a compra de vacinas pela iniciativa privada. No entanto, elas precisam ser repassadas ao SUS até que os grupos de risco — compostos de idosos e pessoas com comorbidades, o que reúne 77,2 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde — tenham sido plenamente imunizados no país.

De acordo com a PF, está sendo investigada a possibilidade do crime de contrabando (caso a compra tenha ocorrido antes da sanção da lei) ou de descaminho (caso tenha ocorrido após a sanção), além da falsificação ou corrupção de produtos médicos (caso a compra tenha ocorrido antes da vacina receber registro no país, em fevereiro).