Polícia Federal de Minas deve concluir investigação sobre Brumadinho a partir de junho

CAROLINA LINHARES
***ARQUIVO***BRUMADINHO, MG, 30.01.2019: Bombeiros e militares israelenses buscam por corpos na área administrativa da mina do Córrego do Feijão, onde houve o rompimento da barragem. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Após quase um ano do rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG), a Polícia Federal de Minas Gerais estima que a partir de junho deve finalizar as investigações para indiciar funcionários da mineradora e da empresa alemã Tüv Süd por crime de homicídio e por crimes ambientais.

O rompimento, em 25 de janeiro do ano passado, deixou 270 mortos -11 ainda não foram encontrados.

Segundo o delegado Luiz Augusto Pessoa, que conduz o inquérito, falta a conclusão de um laudo de engenharia para determinar a causa da liquefação dos rejeitos da barragem, que gerou o seu rompimento. O resultado é esperado para junho.

A partir disso, o delegado espera saber se é possível responsabilizar os funcionários da Vale e da Tüv Süd por homicídio doloso (quando há intenção de matar), culposo (quando não há intenção) ou ainda com dolo eventual (quando o agente assume o risco de matar).

A investigação não descarta responsabilizar os executivos da Vale e da Tüv Süd, inclusive o presidente afastado da mineradora, Fabio Schvartsman.

"É um trabalho muito complexo. Prefiro fazer um trabalho bem feito, seguro e que não gere questionamentos", afirmou o delegado ao responder sobre a pressão da sociedade para que a Vale seja punida.

A perícia é feita com a ajuda da Universidade de Barcelona e com a Universidade do Porto. 

Além de homicídio, a investigação mira crime ambiental de poluição (de um a cinco anos de prisão), inclusive de lençol freático, e de destruição de sítios arqueológicos (de um a três anos de prisão).