Polícia Federal não tolera qualquer tipo de intervenção política, diz delegado

Débora Álvares
Edvandir Paiva, presidente da ADPF, critica declarações de Jair Bolsonaro sobre troca de comando da PF no Rio.

“Sempre que o presidente da República não se limitar a nomear o diretor-geral da Polícia Federal, o que já é uma prerrogativa bastante extensa — porque ele pode nomear e exonerar a qualquer momento —, nós teremos algum problema.” A afirmação é do presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, em resposta ao HuffPost sobre os gestos de interferência na corporação manifestados pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada. 

Na quinta-feira (15), Bolsonaro protagonizou uma queda de braço com a PF ao anunciar a troca do superintendente da PF do Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, cuja substituição por Carlos Henrique Oliveira Sousa já era negociada internamente por vontade dele próprio. 

Ao longo das 24 horas seguintes, o presidente contestou o nome do sucessor, as causas da mudança e falou inclusive em nomear um delegado com quem tem contato desde eleito, Alexandre Silva Saraiva, da Superintendência da Amazônia — o presidente o sondou para o Ministério do Meio Ambiente, mas optou, no fim, por Ricardo Salles.

“Quem manda sou eu. Vou deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu”, afirmou no dia seguinte pela manhã a jornalistas, completando: “Quando vão nomear alguém, falam comigo. Eu tenho poder de veto, ou vou ser um presidente banana agora?”. 

É prerrogativa do presidente da República a nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, mas somente dele. Os demais cargos são escolhidos internamente. “A nomeação de cargos internos da Polícia Federal deve ficar nas mãos do diretor-geral para que ele possa compor a sua equipe da maneira mais técnica possível. Essa é uma maneira de afastar não só o aparelhamento político, que é um risco que a gente combate há muito tempo, como passar para sociedade a leitura de que a Polícia Federal não tolera qualquer tipo de intervenção política”, explicou o presidente da ADPF. 

Reações...

Continue a ler no HuffPost