Polícia do Haiti mata sete suspeitos de matar presidente e prende seis

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PORTO PRÍNCIPE — A polícia do Haiti matou sete suspeitos e prendeu outros seis homens acusados de participar do assassinato do presidente Jovenel Moïse, disseram autoridades haitianas nesta quinta-feira. Ao menos dois dos suspeitos detidos moram na Flórida.

O ministro das Eleições e Relações interpartidárias do Haiti, Mathias Pierre, identificou o cidadão americano James Solages, de 35 anos, como um dos presos que participou do ataque. Pierre informou que ele é haitiano e cidadão americano. Nas redes sociais, o suspeito se identifica como morador de Fort Lauderdale, perto de Miami, e oriundo de Jacmel, no Sudeste do Haiti.

Outro homem detido foi identificado por Pierre como Joseph Vincent, de 55 anos, da região de Miami. Assim como Solages, Vincent é cidadão americano e nasceu no Haiti.

Ao todo, 28 suspeitos foram identificados. Além dos dois haitianos, os outros 26 são colombianos, segundo o chefe da polícia, Léon Charles, que acrescentou que oito pessoas ainda estavam sendo procuradas. Fora os seis presos, ainda não está claro como a polícia identificou os outros suspeitos.

O ministro das Eleições e Relações interpartidárias do Haiti, Mathias Pierre, identificou o cidadão americano James Solages como um dos suspeitos de participar do ataque. Nas redes sociais, o suspeito se identifica como morador de Fort Lauderdale, perto de Miami, e oriundo de Jacmel, no Sudeste do Haiti.

Há grande especulação de que os homens possam ser mercenários com treinamento profissional de combate. Ainda não há informações divulgadas sobre possíveis mandantes da execução.

Em vídeos postados em redes sociais, dois dos supostos mercenários são vistos algemados na parte traseira de uma picape da polícia, junto com agentes portando fuzis. Em outros vídeos, dois homens amarrados são vistos sendo conduzidos pela população para serem entregues às autoridades. A mídia local afirma que estavam escondidos na região de Jalouzi, em Pétion-Ville, e foram capturados por civis.

São dois homens brancos, cujas identidades ainda não foram reveladas. As autoridades haitianas tratam o assunto com sigilo, enquanto as investigações avançam para determinar o que está por trás do assassinato. Um porta-voz do Departamento de Estado americano disse que o governo haitiano pediu ajuda nas investigações.

Uma pequena multidão se reuniu em frente a uma delegacia na capital, Porto Príncipe, prometendo linchar os detidos. A transferência dos corpos de quatro suspeitos mortos também despertou cólera em dezenas de pessoas, que se aglomeraram ao redor do ônibus que transportava os cadáveres com o intuito de profaná-los. Muitos na multidão gritavam para incendiarem os corpos, em um gesto de retaliação pelo assassinato de Moïse.

Charles, o chefe da polícia, fez um pedido à população para que coopere com as forças de segurança e não cause distúrbios. Mais cedo, a enviada da ONU ao Haiti, Helen La Lime, disse que a polícia cercou outros suspeitos perto de Porto Príncipe.

— Também sei que um grupo de possíveis perpetradores se refugiou em dois prédios da cidade e agora está cercado pela polícia — disse La Lime a repórteres em Nova York.

Os supostos assassinos foram interceptados pela polícia depois de um intenso tiroteio em Pélerin, um dos bairros do rico distrito de Pétion-Ville, em montanhas perto de Porto Príncipe, onde fica a residência de Moïse.

As autoridades haitianas sustentam a hipótese de que os assassinos são estrangeiros, que falavam espanhol e inglês durante o ataque, mas não forneceram detalhes sobre sua nacionalidade ou identidade. Segundo testemunhas, vários dos homens envolvidos na operação falavam espanhol, e ao menos alguns tinham sotaque americano.

Em vídeos da invasão, enquanto se identificavam como agentes do DEA, a agência antidrogas dos EUA, os assassinos diziam para os seguranças não resistirem, ou então seriam atingidos nas pernas. Nos vídeos, eles falavam inglês e crioulo haitiano.

Quem fazia a segurança de Moïse eram seus guardas pessoais, que integram uma unidade especializada da Polícia Nacional do Haiti designada para o palácio presidencial. Segundo fontes ouvidas pelo Miami Herald, no entanto, há muito a segurança presidencial era um motivo de preocupação. O governo haitiano não informou quantos guardas faziam a segurança da casa do presidente no momento do ataque, nem como procederam ou se houve feridos entre eles. A Promotoria de Porto Príncipe disse que eles foram convocados a depor, mas não quantos são.

Segundo um laudo do legista, Moïse foi atingido por 12 tiros de armas de grosso calibre e projéteis de 9mm. Cartuchos de 5,56 e 7,62mm foram encontrados na casa. O escritório e o quarto do presidente foram saqueados após o assassinato. Nenhuma outra pessoa na residência presidencial foi baleada, exceto a primeira-dama, Martine Moïse, que, segundo o Miami Herald, foi atingida no abdomen e na mão.

A filha do presidente, Jomarlie, presente no momento do ataque, escondeu-se no quarto do irmão. Após a invasão, os criminosos amarraram a empregada doméstica e um funcionário de plantão.

A primeira-dama Martine Moïse foi levada para receber os primeiros socorros em um hospital da região. Ela foi em seguida transferida para tratamento em Miami, onde chegou na tarde da quarta-feira. Segundo o embaixador haitiano nos Estados Unidos, Bocchit Edmond, seu estado é crítico, mas estável.

O crime aprofundou uma crise aguda que vive o país e gerou incertezas sobre a linha sucessória. Por ora, quem assumiu o poder foi o primeiro-ministro interino, Claude Joseph, que declarou estado de sítio por duas semanas.

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