Polícia de Hong Kong investiga se queda de telão no show do Mirror ocorreu por erro humano

A unidade criminal regional de West Kowloon, em Hong Kong, responsável pela investigação da queda de uma telão no show do Mirror na quinta-feira, trabalha com a hipótese de ter havido erro humano ou negligência na instalação do painel de LED a cima do palco, informa o South China Morning Post neste sábado. A polícia deve verificar ainda se os trabalhadores envolvidos na montagem da estrutura do show eram qualificados para exercer esta função. Pelo menos quatro das empresas envolvidas na produção do evento disseram que não foram responsáveis ​​pela instalação do telão, ponto central da tragédia.

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Vídeo: dançarino atingido por telão em show do grupo Mirror em Hong Kong pode ficar tetraplégico; imagens fortes

Um dançarino de apoio do grupo de cantopop, identificado como Mo Lee Kai-yin, de 27 anos, foi atingido e ficou gravemente ferido, correndo risco de ficar tetraplégico. Outro artista também precisou receber atendimento médico, mas já teve alta. As imagens do momento do acidente são fortes.

Na terça-feira, 26, o integrante do Mirror Frankie Chan já havia protagonizado um episódio que gerou críticas à falta de segurança na estrutura do show. Enquanto falava sob uma plataforma elevada, Frankie caiu e arranhou o braço. Ele se levantou e informou que estava bem, de forma que a apresentação não precisou ser interrompida.

Além disso, na noite de abertura dos shows do Mirror, na segunda-feira, fãs também chamaram atenção para falhas na segurança do local quando Anson Kong desequilibrou numa plataforma, que balançava.

Em outro momento, enquanto ele estava com Jeremy Lau e Keung To, a estrutura fica visivelmente instável.

Foi então criada uma petição online pedindo que a organização do evento priorizasse a segurança dos artistas. Num período de apenas 10 horas, mais de 11 mil pessoas já haviam assinado o documento — intitulado “Preocupação com questões de segurança no show do Mirror”. Até o momento, há mais de 14 mil assinaturas registradas.

“Esperamos que o organizador resolva o problema de frente e proteja a segurança de todos os artistas, incluindo membros do Mirror e todos os dançarinos”, diz a descrição, pedindo aos organizadores que fizessem verificações de segurança das estruturas no palco e parassem de usar plataformas. “Acreditamos que todos os fãs do Mirror que vêm ao show preferem que eles simplesmente se apresentem no palco sem que ninguém se machuque”.

De acordo com o secretário de Cultura, Esportes e Turismo de Hong Kong, Kevin Yeung Yun-hung, organizadores de shows podem ser impedidos de instalar telões para os próximos shows até a conclusão da investigação.

“Devido à necessidade de intubação e anestesia durante a operação… a pessoa ferida foi temporariamente classificada como crítica, enquanto seu índice de sobrevivência é estável”, disse ele.

Fãs usam as redes sociais para cobrar explicações do contratante principal do show, a empresa Engineering Impact que, em nota, disse que não vai se pronunciar até o final da investigação.

Segundo a conclusão de uma avaliação preliminar do acidente, o telão desabou depois que um dos dois cabos de metal responsáveis pela sustentação se rompeu.

O especialista Louis Szeto Ka-sing, ex-presidente da divisão mecânica, marinha, arquitetura naval e química do Instituto de Engenheiros de Hong Kong, disse ao South China Morning Post que ainda há "muitas perguntas não respondidas" sobre o caso. Para ele, se os dois cabos de metal fossem pendurados de forma independente e adequada, o telão deveria manter-se seguro se um dos fios se rompesse.

Os cantores de cantopop Terence Lam Ka-him e Endy Chow Kwok-yin são as próximas atrações agendadas para se apresentarem no Hong Kong Coliseum, a partir de 19 de agosto e 2 de setembro, respectivamente. O governo local pretende permitir a realização destes eventos se as performances forem "estáticas, não muito complicadas, como ficar em pé ou sentado cantado, ou com simples danças e arranjos de luz". No entanto, se o espetáculo envolver instalações semelhantes às do acidente, o secretário de Cultura disse que vai pedir pelo cancelamento dos shows.

— A segurança é a principal prioridade para as performances. É importante ter um bom desempenho, mas definitivamente não vale a pena em detrimento da segurança, principalmente quando envolve a vida humana — disse ele.

Por outro lado, o Sindicato dos Praticantes de Artes Teatrais de Hong Kong criticou essa declaração de Yeung por parecer levar a culpa para os artistas em vez de atribuir a responsabilidade à organização pela estrutura.

"O acidente no palco foi devido a uma brecha na supervisão, não porque alguém estava dançando no local", afirmou a entidade em comunicado. “Se o governo só pode permitir que os artistas façam apresentações estáticas, isso significa transferir as responsabilidades para os dançarinos. Também mostra que o governo não tem capacidade de supervisionar efetivamente os locais”.

Cena do acidente leva fãs a pedirem apoio psicológico

O serviço de apoio psicológico de emergência da Cruz Vermelha de Hong Kong recebeu 87 ligações e 88 pedidos de ajuda nas redes sociais até a noite desta sexta-feira, sendo todos esses contatos relacionados à queda do telão no show do Mirror. Duas pessoas que pediram atendimento foram encaminhadas diretamente para a assistência imediata por apresentarem sintomas mais severos.

Psicóloga da organização, Eliza Cheung Yee-lai explicou que os fãs ligaram principalmente para refletir sentimentos de choque. Já aqueles que apresentaram estresse ​​​​por assistir a vídeos online em geral relataram insônia ou pesadelos. Segundo ela, quem estava na plateia sentiu um forte impacto emocional pois quebrou a sensação prazerosa de assistir ao show de forma abrupta.

— A maioria das pessoas possui a resiliência para lidar com essas situações. Depois de três dias a uma semana, essas reações se dissiparão à medida que empregam vários métodos para diminuir o estresse — avaliou.

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