Polícia identifica 19 dos 26 mortos em ação contra 'novo cangaço' em Varginha

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SÃO PAULO — A Polícia Civil já identificou 19 dos 26 mortos na operação policial do último domingo em Varginha, no Sul de Minas. Eles eram suspeitos de integrar uma quadrilha do chamado “novo cangaço”, que planejava um assalto milionário na cidade. Dez são de Minas Gerais, três de Goiás, dois do Distrito Federal, um de Rondônia, um do Maranhão, um do Amazonas e um de São Paulo.

Ainda segundo a investigação, ao menos nove dos dez mineiros identificados até agora tinham antecedentes criminais, como assalto à mão armada, roubo e tráfico. Dezesseis corpos foram entregues aos familiares, de acordo com a Polícia Civil.

Os corpos estão no Instituto Médico-Legal (IML) André Roquette, em Belo Horizonte. Na identificação, legistas utilizam um protocolo de desastre de massa, semelhante ao adotado na tragédia de Brumadinho, em 2019.

Nesta quarta-feira, o Ministério Público de Minas Gerais deve realizar uma reunião para a investigação da conduta dos policiais que participaram da ação em Varginha. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do estado também vai apurar a operação policial. Nenhum policial ficou ferido no confronto.

Na ação, além dos 25 suspeitos de integrarem a quadrilha, foi morto o caseiro de um dos sítios usados pelo bando. Vizinhos afirmam que ele era uma pessoa humilde, que trabalhava há dois anos na região. Ainda de acordo com vizinhos, ouvidos pela EPTV Sul de Minas, o caseiro Adriano Garcia, de 42 anos, foi visto dois dias antes da operação levando água para pessoas que trabalhavam em uma plantação perto do sítio.

De acordo com a mesma reportagem, o caseiro era analfabeto e tinha um filho, já adulto, que não mora na cidade. Quando mais novo, Garcia teria chegado a ser detido por praticar pequenos furtos.

Segundo a polícia, o caseiro estava envolvido com os planos da quadrilha, e seria responsável por guardar a munição que seria usada no assalto.

— As informações iniciais que nos foram repassadas é de que esse caseiro é partícipe dessa quadrilha, sabia da situação, mesmo porque não há como uma pessoa adulta, dentro de uma mesma residência, com 18 fuzis, com armas de fogo de alta precisão, com uma metralhadora .50 dentro de casa, desconhecer o fato daquilo ser algo criminoso. Então ele estava como partícipe dessa ação, a .50 estava dentro da residência dele, é a informação inicial que nós temos e ele participava inclusive da retirada dos explosivos para transporte para outra chácara — disse a capitão da Polícia Militar, Layla Brunnela.

Entenda o caso

No último domingo, uma operação conjunta entre a Polícia Militar (PM), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) resultou na morte de 25 suspeitos de roubos a bancos em Varginha, no Sul de Minas Gerais. O bando faria parte de uma quadrilha especializada neste tipo de crime, em ações chamadas de "novo cangaço".

— Pela quantidade de armamento apreendido, tudo leva a crer que seja a mesma quadrilha de Criciúma, Araçatuba e Uberaba, em 2017 — disse o tenente-coronel Rodolfo César Morotti Fernandes, do Bope, em coletiva de imprensa no domingo. — Pelo nível de organização, material utilizado, se trata de uma grande quadrilha. Não são amadores.

O comandante do Bope fez referência a um roubo ocorrido em novembro de 2020 em Criciúma (SC), quando foram roubados R$ 125 milhões, e ao assalto em Araçatuba (SP), em agosto.

— Em Araçatuba, os veículos foram pintados de preto. Um dos veículos que apreendemos já estava sendo pintado de preto e foram encontrados vários spray de tinta preta, o que mostra uma semelhança — afirmou.

Já no roubo de Uberaba, ocorrido em novembro de 2017, estima-se que cerca de R$ 20 milhões tenham sido levados de uma transportadora de dinheiro.

Os assaltantes foram descobertos após denúncias anônimas. De acordo com o tenente-coronel Rodolfo, os policiais começaram a investigar sítios em que havia muitos carros estacionados e pouco sinal de festa ou movimento. Segundo ele, ainda será investigado de onde veio o armamento de grosso calibre apreendido:

— Muitas vezes essa quadrilha usa armamento alugado. Ainda não sabemos.

Os policiais não descartam que os suspeitos tenham recebido informações de funcionários do banco ou da transportadora de valores para saber que havia uma grande quantidade de dinheiro na região. O tenente-coronel Rodolfo salientou que a operação foi integrada com a Polícia Rodoviária Federal e outros setores da segurança pública.

— O sucesso da operação que frustrou a ação de uma organização criminosa que poderia ter danos incalculáveis para a cidade e as pessoas foi respondida com uma ação integrada, precisa, onde nenhum policial nem nenhum inocente foram feridos — disse o tenente-coronel.

A PRF afirmou que as investigações começaram depois que os agentes notaram uma movimentação anormal de veículos em Varginha e região. Ainda segundo a PRF, os confrontos com os homens ocorreram em duas abordagens diferentes. Na primeira, 18 suspeitos foram mortos após atacar, segundo a polícia, equipes da PRF e da PM. Em outra localidade, outros sete suspeitos foram mortos após troca de tiros.

Segundo a polícia, os dois sítios usados pelos criminosos estavam localizados em extremos diferentes da cidade, provavelmente para faciltar a rota de fuga caso algo desse errado.

— Nossa ideia era fazer a prisão, mas a partir do momento que eles notaram a presença dos policiais, partiram para o confronto. Daí se justifica a presença dos grupamentos especiais, porque os criminosos tinham armamento de guerra. Muita gasolina, explosivos. A ideia dos criminosos era fazer uma grande ação em Varginha ou região que poderia trazer números desastrosos como já presenciamos em ações anteriores — disse o inspetor da PRF, Aristides Junior.

Foram apreendidos, ao todo, 26 armas, dois adaptadores, 5.059 munições, 116 carregadores, capacetes à prova de balas, explosivos diversos, 12 coletes balísticos, sete rádios comunicadores, 12 galões de gasolina de 18 litros cada e quatro galões de diesel de 100 litros cada. Entre as armas, havia um ponto 50, além de fuzis e granadas. Pelo menos 12 veículos roubados que estavam com a quadrilha foram recuperados.

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