Polícia indicia cinco pessoas por intolerância religiosa e racismo em caso de missa afro na Glória, em 2019

O Globo
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RIO — A Polícia Civil indiciou cinco homens por intolerância religiosa e racismo nesta quarta-feira, dia 18, às vésperas do Dia da Consciência Negra. Os suspeitos tentaram impedir a realização de uma missa afro na Igreja Sagrado Coração de Jesus, que fica na Glória, na Zona Sul do Rio, no dia 20 de novembro de 2019. São eles: Filipe Machado Botelho, Alexandre Guimarães Botelho, Jonathan Santana da Silva, Bruno Farias Mendes e Álvaro Alberto Ferreira Mendes Junior.

Durante a missa, um grupo de fiéis conservadores entrou no interior da paróquia para conversar com Padre Paulo na tentativa de impedi-la, mas não foi ouvido. Houve uma confusão e a polícia chegou a ser chamada. O padre conseguiu celebrar a missa afro, mas os integrantes permaneceram no local e fizeram orações em latim e em voz alta, para atrapalhar a celebração.

O pároco Wanderson José Guedes, então, foi ao microfone para garantir a realização da missa. No registro de ocorrência, ele informou que foi agredido pelo grupo ao fim da celebração. Segundo a Polícia, após ouvir testemunhas e todos os envolvidos no caso, entre vítima e autores, o inquérito concluiu que houve crime de intolerância religiosa e racismo por parte dos autores.

No foi a primeira vez que algo assim aconteceu. No início de 2018, um presépio em tamanho real, montado pelo padre e artista plástico Wanderson, na praça em frente ao Palácio São Joaquim, sede da Arquidiocese do Rio, na Glória, foi alvo de vandalismo. A decoração portava uma mensagem contra a corrupção no país. Em uma postagem feita no Facebook na ocaisão, o sacerdote disse ter sido informado por moradores de rua que um grupo teria passado pelo local por volta das 23h30 do dia 3 de janeiro e destruído o presépio.