Polícia investiga 3º suspeito em atropelamento que matou ciclista na zona oeste de SP

ALFREDO HENRIQUE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia investiga se um homem estaria no carro do microempresário suspeito de atropelar e matar a ciclista Marina Kohler Harkot, 28 anos, domingo (8), em Pinheiros (zona oeste da capital paulista). José Maria da Costa Júnior, 33 anos, se apresentou ao 14º DP (Pinheiros), terça-feira (10), de onde saiu livre após se negar a prestar depoimento. O delegado Flávio Luiz Teixeira afirmou ao Agora, nesta quinta-feira (12), que o silêncio do suspeito dificulta na identificação tanto do homem quanto de uma mulher que também é suspeita de estar no carro com Júnior. Ambos precisam prestar esclarecimentos à polícia sobre o atropelamento. Eles podem ser responsabilizados por omissão de socorro, caso for provado que estavam de fato no carro. Imagens de câmeras de monitoramento mostram Júnior chegando ao estacionamento ao lado do prédio onde mora, na Consolação (centro). Antes de estacionar o Hyundai Tucson, que atropelou Marina, o suspeito manobrou outro carro no local. Após isso, ele corre até a rua, pega o Hyundai e o guarda em sua vaga. As imagens estão sendo investigadas pela polícia. "Com o rapaz, eu vi que estavam no carro outro homem e uma mulher de cabelo vermelho", afirmou Ivanilson dos Santos Ribeiro, administrador do estacionamento à reportagem. Ele acrescentou que Júnior era mensalista do local há cerca de quatro meses. Após deixar o carro no estacionamento, o suspeito foi até seu apartamento, segundo registrado por outra câmera de monitoramento, no elevador do edifício. Nas imagens é possível ver ele sorrir, enquanto interage com a mulher ainda não identificada. O microempresário permaneceu cerca de dez minutos no local e saiu em seguida. "Vi ele segurando uma garrafa de vinho", acrescentou o administrador do estacionamento. Além do motorista, as câmeras do estacionamento captaram uma pessoa, coberta por um pano, indo ao Tucson e depois saindo do local. Até o momento, não se sabe o que ela pegou dentro do veículo. Investigadores encontraram o Hyundai, segunda-feira (9), com a dianteira direcionada à parede, "provavelmente numa tentativa de esconder as avarias ocasionadas durante o atropelamento", diz trecho do boletim de ocorrência. O vidro dianteiro do carro está trincado na lateral direita. O microempresário foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção) e por omissão de socorro. O 14º DP protocolou pedido de prisão preventiva, que não havia sido decretada até a publicação desta reportagem. O suspeito não foi preso, segundo o delegado, por causa da legislação eleitoral, que impede detenções cinco dias antes e 48 horas depois do primeiro turno, que ocorre neste domingo (15). Exceções ocorrem para prisões em flagrante, por exemplo, o que não é o caso do microempresário. Defesa O advogado José Miguel da Silva Júnior, defensor do motorista, afirmou que o microempresário alegou ter se distraído com um aplicativo de navegação com GPS, quando trafegava pela avenida Paulo 6º, onde houve o atropelamento. "Ele comentou comigo que estava na velocidade compatível à via [com limite de 50 km/h], quando se distraiu programando o aplicativo e, por isso, não viu a moça [Marina]", disse o defensor nesta quinta-feira (12). O advogado acrescentou que esta informação lhe foi passada após Júnior sair do 14º DP, no dia em que se apresentou. Na ocasião, o suspeito foi cercado por cicloativistas, que o ameaçaram e ofenderam. "Não consegui falar direito ainda com ele. Preciso saber com ele o motivo para ter dado risada no elevador [conforme mostra vídeo]. Ele diz ter explicação para tudo, mas não tem condições de fazer isso agora. Uma coisa que ele afirmou foi que não consumiu nenhuma bebida alcoólica no dia [do atropelamento]", disse o advogado. Por causa da repercussão do caso, o advogado disse ainda que registraria um boletim de ocorrência de ameaça, ainda nesta quinta, por causa de comentários direcionados a ele na internet.