Polícia investiga briga entre indígenas e guardas municipais na Tijuca

A Polícia Civil está investigando uma confusão entre Guardas Municipais e indígenas da Aldeia Maracanã, ocorrida na noite da última quarta-feira, na esquina da Avenida Maracanã com a Rua São Francisco Xavier, na Tijuca, zona norte do Rio. Os indígenas alegam terem sido agredidos pelos agentes, enquanto a corporação alega que o grupo tentou passar por uma área de acesso proibido.

Na noite de quarta-feira, agentes da guarda realizavam o bloqueio de trânsito tradicional em dias de jogos no Maracanã. O estádio recebia o Jogo das Estrelas, evento beneficente organizado pelo ex-jogador Zico.

De acordo com o Cacique Urutau, que fazia parte do grupo, os indígenas retornavam com carrinho de legumes e frutas que haviam sido doados por um hortifruti da região, quando foram barrados no bloqueio dos guardas. Eles teriam alegado que eram moradores da região, quando os guardas debocharam os agrediram.

- Nós sempre recebemos doação do hortifruti e era o dia de buscarmos. Na volta ao passarmos pelo posto, os guardas nos barraram e não queriam conversar. Fomos tentar falar que estávamos indo para casa e nos xingaram e agrediram com cacetetes e aquela arma de choque (Taser). Um deles deu uma gravata no Maxakali, que começou a ficar roxo e tivemos de intervir. Eu lembrei logo daquele rapaz que morreu nos Estados Unidos sufocado por um policial - contou.

Após a confusão, parte dos agentes e os indígenas foram levados para a 18ª DP, onde o caso foi registrado. Os indígenas e um agente ferido no olho foram encaminhados para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. A corporação afirmou que está investigando o caso e imagens do local devem ser requisitadas.

A Guarda Municipal informou, em nota, que de acordo com relato dos agentes envolvidos na ocorrência, um homem tentou transpor a barreira e, aos ser abordado, ele e mais dois homens começaram a desacatar e a xingar os agentes, que precisaram usar técnicas de imobilização e equipamentos para contê-los. A Guarda destacou ainda que a corregedoria da corporação abriu procedimento interno para apurar os fatos.

O cacique Urutau informou que após o ocorrido, viaturas da Guarda foram colocadas nas imediações da Aldeia Maracanã, em locais onde não ficavam antes. Ele acredita numa tentativa de intimidação com os indígenas. Ao lado da Aldeia, fica uma base operacional da Guarda Municipal.

- Já tivemos algumas rusgas por que pegávamos água numa bica que fica na base deles. Essas viaturas não ficavam na nossa porta, é como se estivessem de vigia agora - disse.