Polícia investiga dupla de falsos ambulantes por assaltos na Avenida Brasil

Marcos Nunes
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Foto: Reprodução

Um casal assaltado por dois falsos ambulantes na Avenida Brasil, prestou depoimento e registrou o caso, nesta quinta-feira, na 21ªDP (Bonsucesso). O assalto ocorreu, nesta quarta-feira, e foi flagrado por uma testemunha que filmou o roubo com um celular e divulgou o vídeo nas redes sociais. Segundo a polícia, um dos assaltantes já foi identificado, mas seu nome será mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações. As vítimas roubadas contaram ter sido obrigadas a entregar dinheiro e celulares para os bandidos.

Álvaro Gomes, delegado assistente da 21ªDP (Bonsucesso), revelou que a dupla seria de uma comunidade, localizada no entorno da Avenida Brasil. Nas imagens, um bandido de camisa branca e boné, que segura uma caixa com sacos de pipocas, aparece tentando render dois motoristas. As abordagens aconteceram próximo a uma agulha, que dá acesso à pista lateral de descida, em Bonsucesso. Uma das vítimas consegue acelerar o carro e fugir, mas a outra acaba sendo obrigada, sob a mira de uma arma, a entregar seus pertences.

Dados preliminares, obtidos pelos investigadores, revelam que os assaltantes não pertencem a nenhuma quadrilha da região e que agiriam sem a cobertura de traficantes.

—Já sabemos que são dois bandidos . Eles se passam por vendedores ambulantes. Um geralmente escolhe o carro onde as vítimas estão mais vulneráveis e o outro faz a abordagem. É essencial que quem tenha sido assaltado naquelas imediações procure a 21ªDP para registrar o caso.Isso é fundamental para a investigação e para um futuro pedido de prisão — disse o delegado.

Conhecida como Maria do Muca, Maria de Lourdes do Carmo, de 46 anos, é coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca). Trabalhando como camelô nas ruas do Rio desde 1996, ela diz que os bandidos que aparecem nas imagens provavelmente se aproveitaram da fragilidade da categoria para se infiltrar entre os ambulantes . Maria diz que a maior parte das pessoas que vende mercadorias na Avenida Brasil é composta de trabalhadores.

—Não se pode olhar o camelô e achar que se trata de um ladrão, porque houve um caso em que um bandido infiltrado apareceu nas imagens roubando. A maior parte das pessoas que está trabalhando ali, na Avenida Brasil, é chefe de família, é gente que perdeu o emprego e que partiu para o trabalho informal — disse.


Segundo Maria do Muca, de acordo com uma estimativa feita pela Prefeitura do Rio, em 2018, havia 60 mil ambulantes em todo o município. Com a pandemia, muita gente perdeu o emprego e esse número subiu ainda mais. É o caso de um camelô, que pediu para não ser identificado, e que trabalha em sinal, entre os bairros da Praça da Bandeira e da Tijuca, na Zona Norte do Rio.

—Eu trabalhava como frentista e aí veio a pandemia e eu fiquei sem emprego. Passei a vender doces e refrigerantes junto com a minha mulher. Trabalhamos das 7h às 19h e é daqui que eu tiro meu sustento —disse.