Polícia investiga incêndio em jornal do interior de SP; editor fala em atentado

Guilherme Caetano
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SÃO PAULO — A Polícia Civil de Olímpia, município de 55 mil habitantes no interior de São Paulo, investiga um atentado que causou incêndio no imóvel do jornal "Folha da Região", onde também mora o editor da publicação, o jornalista José Antônio Arantes.

Crítico do presidente Jair Bolsonaro, Arantes escreveu, em seu site, que a sede do jornal foi "vítima de um ataque terrorista, possivelmente de 'negacionistas'". Nas redes sociais, Arantes tem defendido as medidas de combate à pandemia, como o isolamento social e restrições ao funcionamento do comércio, e criticado quem defende o desrespeito às recomendações sanitárias.

No boletim de ocorrência, o jornalista afirmou que vem sofrendo ameaças há dias, por meio das redes sociais, e que seu genro chegou a ser perseguido por um carro quando foi a São José do Rio Preto, a 55 quilômetros de Olímpia, para buscar as edições impressas da "Folha da Região".

Segundo ele, as ameaças que diz ter recebido se devem ao seu "posicionamento contra os negacionistas".

Arantes relatou à polícia ter acordado por volta das 4h20 sentindo cheiro de fumaça. O jornalista e a esposa então desceram ao térreo, onde funciona a redação, para apagar as chamas. Segundo ele, o autor do atentado fugiu em uma moto.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o jornalista mostra o imóvel repleto de fumaça e a marca do fogo, que destruiu o portão e alguns objetos, mas sem maiores estragos.

— A gente acordou, estava com uma fumaça. Estava chegando no quarto, os cachorros começaram a latir. Sorte que minha mulher conseguiu jogar água dentro de casa primeiro. Se (a gente) não acordasse, poderia ter morrido sufocado —, disse ele durante a gravação.

O delegado Marcelo Pupo de Paula solicitou à Guarda Civil Metropolitana as imagens dos arredores da residência de Arantes, na tarde desta quarta-feira, e instaurou inquérito para apurar o caso.

O GLOBO ainda não conseguiu contato com Arantes.