Polícia investiga morte de paraquedista em Boituva (SP)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil investiga a morte de um paraquedista no início da tarde de terça-feira (19) em Boituva (a 121 km de São Paulo). A vítima é o empresário Andrius Jamaico Pantaleao, 38, morador em Diadema, na região metropolitana da capital.

Pantaleao, que era aluno de paraquedismo, caiu sobre a cobertura de uma casa no bairro Cidade Jardim. Ele foi enterrado nesta quarta-feira (20).

De acordo com a polícia, um colega do empresário viu o momento da queda. Ele disse que nem o paraquedas principal nem o reserva abriram.

Procurado, o delegado Emerson Jesus Martins disse que apura se houve falha no equipamento, que foi apreendido para perícia, ou humana.

"Também precisamos saber porque ele saltou em uma área urbana", afirmou.

A reportagem apurou junto a um representante da Wow Paraquedismo, onde Pantaleao fazia o curso, que o aeródromo de Boituva fica fora do perímetro urbano, mas o espaço aéreo usado nos saltos tem uma parte na cidade e que durante um salto o aluno pode se deslocar, embora isso não seja comum.

Uellinton Mendes, presidente da Confederação Brasileira de Paraquedismo, afirmou que o salto depende da reta de lançamento e da direção do vento predominante.

Em nota, a Prefeitura de Boituva afirmou que a o chefe do Comitê de Instrução e Segurança do Centro Nacional de Paraquedismo (CNP), Marcelo Juliano Longo, esteve no local da queda acompanhando a perícia e apurando o que teria ocorrido no salto do empresário.

"A Confederação Brasileira de Paraquedismo irá disponibilizar um técnico para elaborar um relatório sobre as causas do acidente", diz trecho da nota.

Em entrevista logo após o acidente à TV Tem, Marcello Costa, presidente da Associação de Paraquedistas de Boituva, afirmou que, segundo relatos, o aluno perdeu a instabilidade quando saiu da aeronave. O dispositivo de acionamento automático foi utilizado, mas na hora da abertura enroscou no corpo do empresário, por ele estar instável. "A escola estava habilitada e o clima 100%", disse.

De acordo com a Wow Paraquedismo, Pantaleao havia concluído o curso teórico e realizado 45 minutos de treinamento em túnel de vento, "sendo que o obrigatório é 30 minutos". O salto de terça-feira foi o terceiro do aluno, de acordo com a escola.

Em nota, a Wow disse que lamenta o acidente e que presta solidariedade à família, além de colocar-se à disposição para analisar as causas do acidente.

"No presente momento, em respeito ao aluno e à apuração das causas do acidente, as atividades do clube de paraquedismo estão suspensas até a produção do Relia [relatório de acidentes]", disse. "Estamos profundamente tristes, sabemos que é um esporte radical e dos seus riscos. Ainda assim é um esporte seguro."

Esta é a quarta morte envolvendo paraquedistas neste ano em Boituva, cidade considerada a capital nacional do paraquedismo.

Em 24 de abril, a paraquedista Bruna Ploner, 33 anos, morreu em um acidente no Centro Nacional de Paraquedismo de Boituva. Ela era sargento do Exército, mas no momento da queda saltava com equipamentos de uma empresa particular.

"A vítima fazia a filmagem de outro paraquedista quando, na hora do pouso, veio a colidir no solo sofrendo lesões", afirmou boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil.

Em 11 de maio, dois paraquedistas morreram e outras 14 pessoas sofreram ferimentos após o avião em que estavam atingir uma torre de alta tensão e cair em Boituva.

O avião caiu numa área de pasto ao lado da estrada vicinal Alfredo Boratini, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

Estavam a bordo o piloto e 15 paraquedistas. Um dos mortos foi André Luiz Warwar, 53, gerente da competência de imagem, estratégia e tecnologia da TV Globo. O outro foi o instrutor Wilson José Romão Júnior, 38.

Logo em seguida, em 17 de maio, um balão com nove pessoas a bordo caiu na área rural Porto Feliz e Boituva. Pelo menos duas pessoas ficaram em estado grave. O caso é investigado pela polícia e pelo Cenipa (Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) da Força Aérea.

Segundo a Prefeitura de Boituva, o Centro Nacional de Paraquedismo registra uma média de 10 mil saltos por mês, envolvendo 15 escolas de paraquedismo do município.

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