Polícia investiga participação de terceiro envolvido em 'espionagem' de batalhões da PM

A polícia investiga a participação de uma terceira pessoa no esquema de espionagem de policiais militares do Bope e do Batalhão de Choque feito por duas mulheres a serviço de traficantes. Segundo o tenente-coronel Ivan Blz, porta-voz da PM, um homem foi detido às 5h desta terça-feira, enquanto limpava o apartamento de uma das mulheres, em Laranjeiras, Zona Sul, cerca de 20 minutos depois de Carolina Teixeira da Silva e Keley Cristina Domingos dos Santos serem levadas para a delegacia. O imóvel fica bem perto do quartel do Bope. Os três permanecem detidos na 21ª DP (Bonsucesso).

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Além disso, um comerciante que trabalha próximo ao imóvel alugado pela dupla na Rua Frei Caneca, a cerca de 100 metros da entrada do Batalhão de Choque, conta que um homem esteve no seu estabelecimento, no começo do ano, perguntando sobre aluguéis de lojas na região. Depois, segundo o comerciante, duas mulheres comentaram que no local funcionaria um depósito de gelo e coco. O negócio, no entanto, nunca chegou a funcionar. Foi na fachada desse imóvel, que fica embaixo de um hostel, que a câmera de segurança foi instalada.

— A ação do crime organizado busca avançar para que a situação fique confortável para eles. Para evitar a ação policial, as facções têm buscado cada vez mais os serviços na área de inteligência. Por isso, é necessário o sigilo no emprego dessas tropas para que se tenha eficácia nas operações — disse Blaz.

Uma equipe da 21ª DP realizou uma perícia na manhã desta quarta-feira na loja onde está instalada a câmera. A caixa de eletricidade é outro ponto analisado pelos agentes, que buscam saber de que forma o monitoramento foi montado. Uma escada foi utilizada por eles para alcançar a câmera de segurança. Dentro da loja, vários roteadores de internet estão espalhados pelo chão, indicando que a transmissão das imagens era feita de dentro do imóvel. A polícia também busca recolher impressões digitais nos equipamentos, que ainda estavam funcionando na manhã desta quarta-feira.

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Segundo a polícia, a dupla monitorava a movimentação das tropas em tempo real. Elas foram detidas num veículo branco que acompanhava viaturas do Bope quando teve início o deslocamento da equipe do quartel da unidade com destino à comunidade de Manguinhos para uma ação de apoio a policiais da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP). Com as mulheres, os policiais militares apreenderam seis telefones celulares, com registros de comunicação com diferentes facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas e a milícias.

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As duas estavam com seis celulares. Um dos aparelhos transmitia on-line a movimentação da equipe policial. A pessoa que acompanhava o trajeto feito pelas viaturas do outro lado da linha ainda não foi identificada. Foram descobertas trocas de mensagens no telefone de pelo menos uma das acusadas. Uma das mulheres é casada com um PM preso, mas, segundo Blaz, "não há nada que ligue o fato" da prisão do agente com o esquema.

Carolina observava de um ponto privilegiado a saída das equipes do Bope. O apartamento dela ficava no 12º andar de um prédio na Rua Pereira da Silva. Com as imagens gravadas, ela seguia o comboio. Da mesma forma, a câmera de segurança instalada na Rua Frei Caneca também ficava com a lente voltada para o portão da unidade.

O GLOBO não conseguiu contato com as defesas das duas presas.

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